Toda a mudança do mundo
Inaugurada em junho, a biblioteca presidencial de Barack Obama custou cerca de US$ 850 milhões. O valor foi arrecadado por doações de uma elite que compartilha a mesma vontade de promover uma leitura da história na qual, como proclama o museu, “pessoas comuns” podem provocar “mudanças extraordinárias”
Nos Estados Unidos, a construção das modernas bibliotecas presidenciais obedece a dois grandes princípios. O primeiro, estético, é competir em esplendor com suas antecessoras. Do imenso edifício de ângulos retos de George W. Bush, em Dallas (Texas), ao retângulo de vidro elevado de Bill Clinton, em Little Rock, no Arkansas, cada nova construção deve superar as anteriores em custo, grandiosidade e proeza arquitetônica. O segundo princípio, quase tão importante quanto o primeiro, é que a função de ostentação agora se sobrepõe à função pedagógica. Em teoria, essas instituições semipúblicas têm por missão organizar os arquivos do Executivo e abri-los aos pesquisadores. Na prática, elas se parecem cada vez mais com pseudomemoriais de Lincoln concebidos pelos próprios pseudo-Lincolns. Todas incluem um museu sobre os anos que o interessado passou na Casa Branca e oferecem uma versão da história que só seus partidários mais devotados podem aceitar. Sem surpresa, o Obama Presidential…

