Uma arma geográfica apontada para a disputa hegemônica no moderno sistema-mundo
Como a ação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã se relaciona com a atual disputa pela hegemonia mundial?

Como a ação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã se relaciona com a atual disputa pela hegemonia mundial?
Da hegemonia alemã, os povos europeus – os gregos, em particular – guardam a amarga lembrança dos anos 2010. No entanto, naquela época ainda vigorava o arranjo firmado em 1990, por ocasião da reunificação: motor econômico do Velho Continente, a Alemanha deixava que a França reivindicasse a supremacia militar e diplomática. Esse compromisso chegou ao fim. Desde a invasão russa da Ucrânia, Berlim reestrutura sua economia, militariza sua indústria e mima sua fabricante nacional de armas, a Rheinmetall . Esse grande rearmamento marginaliza Paris e atende aos interesses de Washington, pois, apesar das afrontas infligidas por Donald Trump, a Alemanha espera que os Estados Unidos lhe terceirizem a liderança europeia da Otan
O avanço de candidatos de esquerda nos Estados Unidos levou Donald Trump a fazer da luta contra o comunismo um de seus temas mobilizadores. O tom é fascistizante, e os antigos atentados da extrema direita são silenciados. Ignorando esse contexto, todos os Estados da União Europeia participaram, em Washington, de um colóquio oficial contra o “terrorismo de esquerda”
Washington raramente socorre seus aliados. Ao contrário do que pode parecer, as recentes intervenções do Tesouro norte-americano para sustentar o iene não fogem a essa regra. Longe de serem motivadas por alguma forma de altruísmo, elas respondem às preocupações dos Estados Unidos com o custo de seu endividamento e devolvem à Europa o papel que lhe é reservado: o de quem paga a conta de todas as trapalhadas
A China anunciou a intenção de enviar taikonautas para a Lua antes de 2030. Os Estados Unidos informaram que seus astronautas estariam “no local para recebê-los”. O desenvolvimento de um setor espacial chinês competitivo é visto por Washington como uma ameaça existencial. Sua expansão, contudo, esteve longe de ser um processo tranquilo
Pela primeira vez na história, a desinformação gerada por tecnologias sintéticas superou os métodos tradicionais, atingindo milhões de pessoas antes de qualquer verificação
As ações dos EUA fazem parte de uma competição estratégica global que subordina as regras coletivas a interesses domésticos e geopolíticos. Nesse contexto, o Brasil precisa manter uma postura independente e defender seus próprios interesses
Quando o prefeito de Nova York denuncia a dimensão humana da destruição de Gaza e exige que o governo norte-americano reconheça a autoridade do Tribunal Penal Internacional, a cidade-sede das Nações Unidas transforma-se no palco de uma pergunta que o mundo já não pode evitar: a lei internacional vale também quando alcança os aliados dos poderosos?
A novidade do segundo governo Trump não está no uso do protecionismo, mas na transformação explícita da política comercial em instrumento permanente de disputa geopolítica
O conflito atual não é apenas uma escalada militar ou uma crise regional, mas a expressão da disputa entre um modelo tradicional de poder, baseado na coerção e na superioridade tecnológica, e outro mais difuso, resiliente e descentralizado
Usando de todos os elementos da guerra híbrida, os Estados Unidos estão buscando desestabilizar o governo Lula e influenciar o resultado das eleições de outubro em favor de Flávio Bolsonaro
Mais do que uma derrota política, o conflito lança dúvidas sobre a própria superioridade militar dos Estados Unidos