Fragmentos de um conflito que resiste à leitura
Uma análise do conflito entre Irã e Estados Unidos a partir de custo, assimetria e limites da escalada

Uma análise do conflito entre Irã e Estados Unidos a partir de custo, assimetria e limites da escalada
Parece exagero identificar Trump com a ascensão do fascismo nos Estados Unidos, mas não é
Genocídio, anexações, agressões: Tel Aviv e Washington já não prestam mais contas. Nem a seus aliados nem às Nações Unidas; nem de seus objetivos nem de seus meios, embora estes sejam manifestamente ilegais . O multilateralismo é colocado à prova . O Sul Global, dividido, entra no jogo com relutância. E a Europa consente com os bombardeios a bairros residenciais de Beirute e a infraestruturas civis iranianas . Qual é o impacto dos conflitos na América Latina e no Brics? A sociedade israelense, por sua vez, continua apoiando as aventuras militares de seu governo, uma ofensiva que incendiou todo o Oriente Médio e ameaça a estabilidade do resto do mundo
Por que se preocupar com o direito quando se tem a moral do próprio lado? Segundo certos dirigentes políticos e juristas complacentes, o ataque ilegal ao Irã pelos Estados Unidos e por Israel deveria ser aprovado porque teria sido “justo”. Pretensamente inovador, esse discurso perigoso ignora cem anos de avanços jurídicos e políticos
Como entender a ascensão e o papel da indústria tecnológica norte-americana? Na imprensa e nas revistas, as noções de “tecnofeudalismo”, “luzes sombrias” e “tecnofascismo” disputam o posto de conceito da moda em maior evidência. Uma perspectiva histórica leva a um conceito mais antigo, mas também mais sólido: o imperialismo
Com essa redução da inteligência humana à racionalidade instrumental, como não pensar que a máquina irá, de fato, substituir os seres humanos?
As políticas migratórias do trumpismo representam um deslocamento sísmico de um nacionalismo cívico, tradicionalmente observado nos EUA (ao menos em termos formais), para um nacionalismo étnico e agressivo
A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã recoloca o Oriente Médio no centro das tensões internacionais e revela, mais uma vez, a fragilidade da ordem global contemporânea. Longe de ser apenas um episódio isolado, o conflito expõe disputas geopolíticas mais amplas, nas quais se entrelaçam crises internas dos Estados, rearranjos regionais e transformações na hierarquia de poder do sistema internacional
Principal produtor mundial de cobalto e segundo maior produtor de cobre, a República Democrática do Congo tornou-se um dos principais palcos da ofensiva norte-americana para assegurar o acesso a minérios estratégicos, em meio a uma rivalidade crescente com Pequim. Apoiados pela Casa Branca, os investidores procuram se instalar em um país ainda vítima de uma guerra mortal
“Por que o Irã ainda não se rendeu?”, perguntava o presidente norte-americano, Donald Trump, em 20 de fevereiro. Enquanto o regime teocrático não dá mostras de que deve ceder, a repressão conduzida em janeiro passado contra sua população demonstra, mais uma vez, seu fracasso. Embora Washington não tenha renunciado ao uso da força, elites da classe média iraniana aguardam sua hora
Um dos paradoxos da era digital é este: por um lado, as grandes plataformas globalizam certas formas culturais; por outro, elas fragmentam os públicos em silos autônomos. Séries de sucesso emergem como referências comuns para populações relativamente heterogêneas. Elas carregam a marca contraditória de uma época em que tudo é mercadoria, até mesmo a contestação