GUERRA NO IRÃ, O PREÇO DE UMA LOUCURA

Quando Israel arrasta os Estados Unidos

Genocídio, anexações, agressões: Tel Aviv e Washington já não prestam mais contas. Nem a seus aliados nem às Nações Unidas; nem de seus objetivos nem de seus meios, embora estes sejam manifestamente ilegais . O multilateralismo é colocado à prova . O Sul Global, dividido, entra no jogo com relutância. E a Europa consente com os bombardeios a bairros residenciais de Beirute e a infraestruturas civis iranianas . Qual é o impacto dos conflitos na América Latina e no Brics? A sociedade israelense, por sua vez, continua apoiando as aventuras militares de seu governo, uma ofensiva que incendiou todo o Oriente Médio e ameaça a estabilidade do resto do mundo

Há 35 anos, Jean Baudrillard publicou um artigo de título provocador: “A Guerra do Golfo não aconteceu”.[1] Para o pensador francês, a primeira intervenção militar de uma coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque (1991) não foi vivida pelo público como um conflito verdadeiro, mas como um acontecimento midiático, um “simulacro” em que a realidade – de atrocidades tangíveis – foi absorvida pela midiatização. Baudrillard evocava, em especial, as grandes encenações tecnológicas que substituíram a experiência da guerra. Encenação nas redes sociais, segundo os códigos da cultura pop e do videogame, o ataque ao Irã desencadeado por Washington e Tel Aviv dá a esse mesmo fenômeno outra dimensão. A morte é banalizada e, em certos casos, até glorificada (o assassinato do líder supremo Ali Khamenei), enquanto o Irã passa a ser visto como um gigantesco alvo militar e já não é mais percebido como um território onde vive uma…

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