A Guerra no Irã: quando mais um conflito pode virar o maior de todos
A guerra voltou a ser a linguagem da política internacional e isso revela um fracasso da diplomacia

A guerra voltou a ser a linguagem da política internacional e isso revela um fracasso da diplomacia
Genocídio, anexações, agressões: Tel Aviv e Washington já não prestam mais contas. Nem a seus aliados nem às Nações Unidas; nem de seus objetivos nem de seus meios, embora estes sejam manifestamente ilegais . O multilateralismo é colocado à prova . O Sul Global, dividido, entra no jogo com relutância. E a Europa consente com os bombardeios a bairros residenciais de Beirute e a infraestruturas civis iranianas . Qual é o impacto dos conflitos na América Latina e no Brics? A sociedade israelense, por sua vez, continua apoiando as aventuras militares de seu governo, uma ofensiva que incendiou todo o Oriente Médio e ameaça a estabilidade do resto do mundo
Enquanto as guerras se multiplicam e as potências se rearmam, o que chama atenção não é a falta de motivos para protestar, mas o esvaziamento das ruas. Comparadas às gigantescas mobilizações antiguerra de 1982 e 2003, as manifestações recentes parecem tímidas e isoladas
Cidades destruídas pela guerra colocam em xeque não apenas a capacidade técnica da arquitetura e do urbanismo, mas também seus fundamentos éticos, políticos e sociais. Diante da devastação, projetar deixa de ser um exercício abstrato e passa a lidar diretamente com perda, memória e sobrevivência coletiva
Inverta o seu olhar do mundo, na tradição de Paulo Freire, Darcy Ribeiro e Eduardo Galeano
Ao invés da paz, o campo de batalha vem ganhando um componente extra tático-estratégico
Entre contenção e confronto: os limites da estabilidade internacional
As guerras acarretam outros efeitos sociais negativos afora o número de óbitos, os quais tendem a perdurar por muito tempo e comprometer diversas gerações. Podem ser mencionados o deslocamento de contingentes populacionais, a fragmentação de comunidades, o aumento da violência e da criminalidade, a destruição de infraestrutura essencial, o exacerbamento da pobreza e da desigualdade social, o comprometimento educacional do povo, a violação de direitos humanos e a estigmatização e discriminação de grupos envolvidos
Todas as guerras terminam um dia. O conflito que devastou a Síria desde 2011 teve um desfecho provisório com a queda de um regime que estava no poder desde 1969. Embora a Turquia tenha se destacado como a grande vencedora dessa transformação, surgem questões sobre a passividade dos apoiadores internacionais do regime deposto, especialmente Rússia e Irã. Reivindicando um reposicionamento ideológico, o novo governo em Damasco precisará provar que rompeu definitivamente com o jihadismo, sob o risco de fortalecer organizações mais radicais, como a Organização do Estado Islâmico (OEI)
A história é manipulada de todas as formas. Ela justifica guerras, desqualifica adversários, fortalece identidades coletivas. Qualquer um pode ocultá-la, reescrevê-la, distorcê-la, pegar uma analogia ou referência, desde que reforce sua tese. Nesta batalha para moldar o debate público em torno de um relato ajustado a seus interesses, aqueles que detêm os grandes meios de comunicação possuem uma arma poderosa
Nas sociedades democráticas, o forte avanço da tecnologia se apresenta como o grande responsável por aproximar cada vez mais os paisanos dos fardados, bem como desfaz progressivamente a distinção entre civis e militares
Atualmente existem, aproximadamente, 28 países que estão passando por conflitos armados nos continentes africano e asiático. Mas, não vemos a mesma cobertura da mídia para a crise de refugiados que eles geram, como vemos com a Ucrânia