Otimismo obstinado
Enquanto as guerras se multiplicam e as potências se rearmam, o que chama atenção não é a falta de motivos para protestar, mas o esvaziamento das ruas. Comparadas às gigantescas mobilizações antiguerra de 1982 e 2003, as manifestações recentes parecem tímidas e isoladas
No sábado, 7 de março, 50 mil pessoas marcharam em Londres para protestar contra a guerra travada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã. Uma presença notável em comparação com outras metrópoles ocidentais, mas irrisória se olharmos para trás: em 15 de fevereiro de 2003, mais de 1 milhão de manifestantes tomaram as ruas de Londres contra a invasão do Iraque. Centenas de milhares marcharam em Nova York e Washington, e cerca de 15 milhões em todo o mundo – a maior mobilização internacional já registrada. Vinte anos antes, em 12 de junho de 1982, foi para exigir o desarmamento nuclear que 1 milhão de pessoas lotaram o Central Park, ao som de Joan Baez e Bruce Springsteen. O movimento antiguerra tinha seus músicos, seus escritores, seus cineastas. Essa tradição foi se apagando. Hoje, as guerras se multiplicam e as grandes potências se rearmam, mas as ruas seguem…

