A dura realidade do comércio civilizador
A disputa entre Estados Unidos e China em torno das sanções econômicas revela transformações profundas na ordem internacional. Ao desafiar medidas impostas por Washington contra refinarias chinesas ligadas ao petróleo iraniano, Pequim sinaliza não apenas uma resistência inédita ao poder norte-americano, mas também sua disposição de sustentar uma arquitetura econômica menos dependente do dólar
Depois de acusar cinco refinarias chinesas de se abastecerem de petróleo iraniano, o Tesouro norte-americano as acrescentou, em 24 de abril passado, à sua interminável lista de empresas sancionadas. Uma rotina, aparentemente. Há décadas, Washington se arroga o poder de determinar quem pode comercializar com o resto do mundo, e todos se curvam a seus ditames por medo de serem excluídos de um sistema financeiro internacional atrelado ao dólar. No entanto, as coisas não aconteceram como previsto. A China, que até então se contentava com protestos verbais e formas discretas de drible, anunciou que não se submeteria a essas sanções e que levaria aos seus tribunais qualquer empresa chinesa que lhes obedecesse. A decisão é justificada pela necessidade de “preservar a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do país”. Em outras palavras: impedir que as sanções norte-americanas desorganizem fluxos energéticos que se tornaram essenciais para a economia regional.…

