AS PRISÕES DE IDOSOS NOS ESTADOS UNIDOS

Viver e morrer em uma cela

Frequentemente condenados ainda jovens a penas longuíssimas, dezenas de milhares de detentos norte-americanos chegam hoje a uma idade avançada, obrigados a terminar seus dias em prisões onde nada foi pensado para eles. Subir num beliche, esperar em pé numa fila, mastigar uma comida inadequada, sem falar na dificuldade de consultar um médico: cada tarefa do cotidiano é uma provação

O imã Jamil Abdullah al-Amin, também conhecido como H. Rap Brown, foi uma das vozes mais influentes do movimento pelos direitos civis e do black power nos Estados Unidos, especialmente no Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC) e no Black Panther Party. Monitorado pelo FBI, foi condenado à prisão perpétua em 2002 pelo assassinato do auxiliar de um xerife, acusação que jamais aceitou. Ele morreu em 23 de novembro de 2025, aos 82 anos, em um hospital penitenciário da Carolina do Norte, após uma lenta deterioração de seu estado de saúde. Rap Brown está longe de ser o único a ter envelhecido e morrido atrás das grades. Em 2022, 186.146 pessoas encarceradas nos Estados Unidos tinham mais de 55 anos – limite para ser considerado “idoso” em muitos estados –, contra cerca de 42.300 em 2000.[1] “Envelhecemos mais rápido na prisão”, explica Jose Saldaña, ex-militante da organização revolucionária porto-riquenha Young Lords,…

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