CENTENAS DE MILHARES DE ESTRANGEIROS SÃO OBRIGADOS A DEIXAR O PAÍS

A África do Sul tomada pela afrofobia

As imagens correram o mundo: saques, estabelecimentos comerciais incendiados, migrantes fugindo em massa, assassinatos. Embora a África do Sul já tenha vivido surtos de xenofobia, o movimento da primavera de 2026 chama a atenção por sua dimensão e sua repercussão internacional. Enquanto mergulha em uma profunda crise social, a “nação arco-íris” sofre ataques inéditos, em especial dos Estados Unidos

Em dezembro de 2025, grupos anti-imigração ordenaram que todos os estrangeiros em situação irregular deixassem a África do Sul antes da “data-limite” de 30 de junho de 2026. Esse ultimato, sem nenhum caráter oficial, veio depois de vários meses de manifestações violentas que causaram grandes danos materiais, forçaram centenas de milhares de pessoas a deixar o país e provocaram pelo menos quatro mortes. O dia 30 de junho acabou transcorrendo sem grandes incidentes, em parte graças aos 600 milhões de rands (R$ 188 milhões) liberados pelo Ministério da Polícia para financiar operações de fiscalização nas nove províncias do país. Líder da mobilização, o movimento March and March adiou o prazo para 30 de setembro, determinando que as empresas deixassem de empregar pessoas sem documentos até essa data. Segundo as autoridades sul-africanas, mais de 80 mil estrangeiros foram submetidos a procedimentos de repatriação ou expulsão entre 14 de junho e 20…

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