UMA OUTRA LEITURA GEOPOLÍTICA

A desagregação do Ocidente

Os ensaístas neoconservadores e a maioria dos meios de comunicação opõem um eixo de potências autoritárias (China, Rússia, Irã e Coreia do Norte) à aliança das democracias liberais. O que há de real nessa dicotomia? O historiador Emmanuel Todd, que contesta essa visão, raramente é convidado a apresentar suas análises. Ele também se pergunta qual pode ser a relação entre as ameaças norte-americanas e o fortalecimento do autoritarismo nos países sob influência do Ocidente

Os programas de televisão sobre geopolítica estão novamente desesperados: Donald Trump voltou a humilhar sadicamente Volodymyr Zelensky e retomou a aproximação com Vladimir Putin. Para explicar a reviravolta do “homem mais poderoso do mundo”, os fatores mais frequentemente mencionados são o preço do diesel e a proximidade das eleições norte-americanas de meio de mandato. Como de costume, prevalece o imediatismo mais estrito. Em seguida, geralmente vêm as lamentações sobre a afinidade ideológica entre os chefes do Kremlin e da Casa Branca, uma enxurrada de juízos morais sobre o traidor Trump e a exigência de um envolvimento ainda maior dos europeus ao lado da Ucrânia. Emmanuel Macron, líder da “coalizão dos voluntários”, volta a ser levado a sério, enquanto seu próprio país, desorganizado de maneira magistral por uma dissolução parlamentar, mergulha no caos. A “Terceira Guerra Mundial” se distingue das duas anteriores por um estado de confusão interpretativa sem precedentes históricos.…

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