A economia militarizada, o novo modelo alemão
Conhecido por sua avareza, o governo alemão despeja centenas de bilhões de euros em sua economia vacilante. A beneficiária desse estímulo sem precedentes é a defesa. Contudo, essa retomada impulsionada pelas armas pode corroer as condições geopolíticas que haviam favorecido os êxitos industriais renanos
Em 10 de junho, ao inaugurar a Exposição Internacional de Aeronáutica (ILA), em Berlim, o chanceler alemão, Friedrich Merz, teve um lapso. “A Lufthansa”, começou, antes de se corrigir: “Desculpe, a Luftwaffe [Aeronáutica alemã]? A Bundeswehr [Forças Armadas alemãs]...? Está no comando do Eurofighter, que voará sobre nós daqui a alguns minutos”.[1] O lapso refletia uma realidade: com sua nova estratégia para a aviação, divulgada naquele dia, o governo alemão pretende ampliar as “sinergias entre a pesquisa aeronáutica civil e militar”, apostando em tecnologias de “duplo uso” e em “economias de escala”.[2] Dois dias depois da implosão do projeto franco-alemão de Sistema de Combate Aéreo do Futuro (Scaf) – uma colaboração de 100 bilhões de euros minada por divergências industriais –, a Exposição Internacional de Aeronáutica ofereceu a Berlim a oportunidade de reafirmar sua determinação em acelerar a militarização de sua indústria. Além das discussões entre a alemã Diehl Defence…

