A impotência das autoridades ambientais
Muitos projetos de desenvolvimento enfrentam protestos por causa da falta de uma discussão serena sobre suas vantagens e desvantagens. O debate democrático se beneficiaria de uma avaliação contraditória e fundamentada de seus impactos, das precauções a serem tomadas e das renúncias necessárias. Esse é o papel das autoridades ambientais, tanto em nível local quanto nacional. No entanto, seus pareceres não impositivos são frequentemente ignorados
O que pensar do projeto da rodovia A69, que ligará Castres a Toulouse na França? Após uma análise detalhada e independente das partes interessadas, a constatação da Autoridade Ambiental “nacional” – presidida por um membro da Inspeção-Geral do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (Igedd, na sigla em francês) – foi severa. “De maneira geral, esse projeto rodoviário, iniciado há várias décadas, parece anacrônico diante dos desafios e ambições atuais de sobriedade, de redução das emissões de gases de efeito estufa e da poluição do ar, de interrupção da erosão da biodiversidade e da artificialização do território, bem como diante da evolução das práticas de mobilidade e de sua relação com o planejamento territorial. A justificativa que remete a razões imperativas de interesse público maior para o projeto, considerando seus impactos sobre os ecossistemas naturais, parece limitada.” Em um documento de cerca de trinta páginas, o colegiado de especialistas também…

