A indústria bélica cobiça (e captura) os minerais da transição energética
“Economia verde” e economia da guerra compartilham os mesmos elementos essenciais para a produção seja de equipamentos da transição energética, como baterias e painéis solares, seja de drones e outros armamentos modernos. Dono da segunda maior reserva de terras-raras, o Brasil é palco de uma corrida cada vez mais acirrada entre China e Estados Unidos
Sob o discurso da urgência de acelerar a transição energética para combater a crise climática, os chamados minerais críticos (ou estratégicos), entre eles as terras-raras, vêm ganhando protagonismo no debate global. Sua utilização como componentes essenciais na fabricação de baterias, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores, por exemplo, vem impulsionando, nos últimos anos, uma corrida global por seu controle, liderada por Estados Unidos e China. No entanto, as motivações dessa disputa vão muito além da “economia verde”. Cada vez mais, a transição energética tem enfrentado uma forte “concorrente” na busca por esses insumos: a guerra. Ano a ano, e na esteira dos interesses geopolíticos das grandes potências, mais recursos financeiros e minerais estão sendo “desviados” para a indústria bélica. Pois os mesmos elementos centrais para a tecnologia renovável – lítio, cobalto, cobre, grafite, níquel, entre outros – são componentes cruciais dos armamentos modernos, como mísseis, drones, sensores, radares e veículos…

