GUERRAS PROJETADAS, DIVISÕES FABRICADAS

Brics sob fogo cruzado

Se revela pressões externas que atravessam o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além dos outros cinco países incorporados nos últimos dois anos, a crise provocada pelos ataques ao Irã também sugere que o agrupamento pode desempenhar um papel relevante na reconstrução de canais de diálogo internacionais

Quando partimos de um campo de visão estreito, podemos concluir que os países do Brics estão em conflito entre si, como sugerem as retaliações do Irã contra bases norte-americanas e alvos civis nos Emirados Árabes Unidos. No entanto, para compreender o que está em jogo, é preciso ampliar o olhar e situar o ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã na disputa geopolítica mais ampla entre Washington e a principal potência do bloco, a China. Se, à primeira vista, a política externa belicosa e unilateral do segundo governo Trump pode sugerir uma revitalização da hegemonia dos Estados Unidos, o recurso à força bruta frequentemente revela justamente o contrário. A coerção militar costuma emergir quando um país já não consegue impor sua vontade por outros meios – seja pelo convencimento diplomático, pela pressão econômica ou pela ameaça do uso da força. Em 2026, todos esses meios falharam: em…

Leia mais sobre o tema: