Elogio do papel
Como dissipar a névoa de dados, notícias e imagens que irrompe sem trégua em nossas telas? Um método revolucionário, embora com dois milênios de idade, pode oferecer um asilo aos desertores da guerra da atenção. Suas virtudes espantam seus usuários, e seu poder deixa o Vale do Silício em polvorosa
Atenção: este é um texto fora do tempo, dos fluxos e do turbilhão digital. Sua construção não obedece às novas regras adotadas por jornalistas, blogueiros, influenciadores e editores para tentar sobreviver à guerra da atenção que domina as telas. A leitura sem que se saiba o número mágico que hoje precede a primeira frase de todo artigo on-line – o dos minutos necessários para percorrê-lo. Sua mensagem principal não estala já na chamada para fixar as retinas, antes que estas se dispersem em outro lugar, como quando sobrevoam uma página web. Com a ajuda de um instrumento de rastreamento ocular, o especialista em ergonomia de informática Jakob Nielsen estabeleceu que “o padrão de leitura dominante se parece com um F. Os leitores tendem a começar no canto superior esquerdo e, em seguida, percorrer a página inteira para a direita. À medida que descem a página, olham cada vez menos para…

