Em Honduras, a esquerda defende seu legado
No poder desde 2022, Xiomara Castro e seus ministros multiplicaram as reformas sociais e as políticas agrárias, mas têm dificuldade em saldar a herança do período aberto pelo golpe de Estado de 2009. Entre as expectativas populares, a resistência da oligarquia e as manobras de Washington, eles se preparam para novas eleições gerais, em 30 de novembro
Manuel Zelaya – ex-presidente de Honduras. Derrubado em 28 de junho de 2009, em plena onda rosa-vermelha latino-americana, por um golpe de Estado. Em reação a essa ruptura democrática nasceu a Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), que depois virou o partido de esquerda Liberdade e Refundação (Libre). Este, após doze anos e sete meses de “narcoditadura” – o termo aqui empregado – chegou finalmente ao poder em 27 de janeiro de 2022, na pessoa de Xiomara Castro. A esposa de Zelaya! Coordenador nacional do Libre e principal “conselheiro” da presidenta, ele nos recebe no edifício da casa presidencial, em Tegucigalpa. Já são quase 23 horas. Na antessala aguardam senhores bem trajados, militantes de mangas arregaçadas, uma deputada de semblante decidido, um exibicionista com cabelo artisticamente penteado – terno preto, gravata amarela, sapatos engraxados. Para ajudá-los a esperar, um funcionário distribui garrafas de água e xícaras de café. Acomodado em…

