NO SUBCONTINENTE, AS BELAS-LETRAS EXPORTAM-SE NO FEMININO

Novo boom literário latino-americano?

Quando os romances de Julio Cortázar, Mario Vargas Llosa e Gabriel García Márquez começaram, na década de 1960, a ocupar amplas prateleiras das livrarias europeias, o fenômeno recebeu o nome de boom latino-americano. Hoje, uma nova geração de autoras garante a sucessão. Seu sucesso se deve em grande parte ao enraizamento das obras em suas sociedades de origem

Em abril de 2024, a escritora argentina Selva Almada entrou com destaque na shortlist do prêmio Booker. Graças à tradução para o inglês de seu romance No es un río [Não é um rio], a autora natural da província de Entre Ríos, limítrofe com o Uruguai, somou seu nome à longa série de escritoras latino-americanas que, há cerca de seis anos, figuram entre as finalistas desse prestigiado prêmio literário britânico – (mal) chamado até pouco tempo atrás de Man Booker Prize. Um quarto das obras pré-selecionadas para a edição de 2024 era sul-americana.[1] Mesmo que Almada não tenha levado o prêmio, sua derrota valeu como vitória, pois lhe abriu os mercados anglo-saxões – os mais promissores. Na última década, o Booker reconheceu e popularizou muitas vozes “latinas” traduzidas para a língua de Shakespeare. Entre as argentinas, além de Almada, podemos citar Gabriela Cabezón Cámara, Ariana Harwicz, Claudia Piñeiro e Samanta…

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