A corrupção da opinião pública: uma defesa republicana da liberdade de expressão
A democracia está inextricavelmente ligada à noção de liberdade de expressão, já que o autogoverno depende das possibilidades de expressão e influência dos cidadãos sobre os rumos da coletividade. Justamente por isso, a liberdade de expressão tornou-se um dos pilares das teorias democráticas. A questão é que o conceito assumiu acepções muito distintas e chega a ser usado com sentidos contraditórios. Compreender as implicações das diferentes definições do termo é fundamental para o aprofundamento das experiências democráticas contemporâneas.
A corrupção da opinião pública dá uma importante contribuição teórica e política para tal compreensão. O livro faz um diálogo profundo e atualizado com a filosofia política, evidenciando a existência de duas chaves interpretativas muito distintas: a liberal e a republicana. De maneira arguta e convincente, os autores destacam como a gramática liberal é perpassada por certos impasses que limitam sua capacidade de oferecer respostas concretas a dilemas vivenciados nas democracias atuais. Sem apresentar saídas, a gramática liberal mostra-se não apenas pouco profícua, mas também danosa, podendo inviabilizar a possibilidade de autogoverno sob a aparente justificativa de defendê-lo. A tradição republicana, por sua vez, embasa a configuração de um conceito de opinião pública democrática, que oferece sugestões conceituais para a estruturação da participação política, para a organização do sistema de mídia e para a configuração de uma estrutura legal adequada à proteção da liberdade de expressão. Além disso, tal tradição ajuda a entender a inseparabilidade entre discurso e política.

O livro cumpre importante papel em formular uma defesa pública da liberdade, por meio de um cauteloso diálogo com múltiplas vozes e com dilemas concretos. Trata-se de leitura fundamental não apenas para pesquisadores da área, mas a todos os que aspiram ao aprofundamento da democracia.

