A dança dos Deuses: Futebol, sociedade, cultura.
Fascinante: respostas (ou hipóteses muito convincentes) para as perguntas que sempre fizemos e as que nem chegamos a formular. E a confirmação de relações de causa e efeito que temíamos ou queríamos que fossem verdadeiras – como a ligação psicológica, demonstrada por cruzamentos estatísticos, entre o futebol “covarde”, entediante, pouco ofensivo e o hooliganismo (viva o futebol arriscado!).
Futebol é de tal forma (oni)presente e entrelaçado na vida contemporânea que às vezes parece fato da natureza e não criação humana. Mas houve, sim, um período A.F. (Antes do Futebol), e os jogos rituais apontados como seus ancestrais relegaram não mais que alguns genes ao esporte que de fato começou na Inglaterra. Em “Dança dos Deuses” o professor Franco Junior, da História da USP, explica por que só podia ter sido na terra da Revolução Industrial, assolada pela febre de organizar, institucionalizar, padronizar.

É delicioso aprender a relação da regra do impedimento com as noções britânicas de lealdade e trapaça; as circunstâncias em que surgiram o árbitro, o goleiro, o travessão, a idéia de Copa e a proposta de acumular pontos em um campeonato, o pênalti e o profissionalismo.
O livro é uma coleção impressionante de acontecimentos (futebolísticos, políticos, sociais), números (população, público, torcidas, placares, títulos, rendas, investimentos), estudos (de historiadores, antropólogos, psicólogos, sociólogos, lingüistas), declarações (de filósofos a jogadores, técnicos, jornalistas, governantes) e informações diversas (como o significado e as origens das cores, listras e distintivos das camisas). Um trabalho musculoso como um lateral moderno, leve e atrevido como um ponta das antigas e bem construído como uma troca de passes.

