A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista

Em meio às ondas de protestos que têm varrido as principais capitais do Brasil, a leitura desse interessantíssimo livro torna-se urgente – e, de certo modo, decisiva – para compreender a inquietude e o perfil social de um setor adormecido da sociedade brasileira contemporânea.

Ora, são justamente trabalhadores jovens, não qualificados ou semiqualificados, precariados, sub-remunerados e “inseridos em relações trabalhistas que bloqueiam sua organização coletiva” que estão inquietos e dispersos nas ruas do país, incapazes de prosseguir uma política independente. Por isso, oscilam – ou melhor, são disputados – entre a hegemonia dos dominantes (incluindo os órgãos privados de comunicação) e a contra-hegemonia dos subalternos que definem, desde o século XIX, a gênese do sistema capitalista e não perderam um fio de sua atualidade.

Sofrendo os maiores perrengues do século passado por suas condições altamente degradantes e instáveis na esfera do trabalho “moderno”, o recente trabalhador precário brasileiro não se acomodou ao pacote de políticas públicas do lulismo, como muitos sociólogos anunciavam. Em direção oposta, Ruy Braga apontou claramente uma possível reação dessa camada, embora reformista e incipiente: “esse embrião de reformismo plebeu já ameaça mostrar-se impaciente com o conformismo daqueles que se deixaram transformar em instrumentos do atual modelo de desenvolvimento”.

No fundamental, em países da periferia do sistema capitalista em que o desenvolvimento tem historicamente se mostrado desigual, combinado e permeável por uma multiplicidade de ritmos, o autor assevera que, em razão dessas condições especiais de sua formação social, a condição do proletariado precarizado brasileiro não é exceção, mas regra no sistema de produção e reprodução de relações sociais capitalistas. Com base nisso, o autor elabora uma exaustiva pesquisa empírica na tentativa de traçar a trajetória e o destino histórico do proletariado precarizado do país, mostrando seus perigos e suas esperanças até a “hegemonia lulista”.