A sociedade do cansaço

Apontado pelo periódico espanhol El País como o sucessor do filósofo alemão Peter Sloterdijk, Byung-Chul Han acaba de lançar no Brasil A sociedade do cansaço. Estudioso da obra de Martin Heidegger e professor de Filosofia na Universidade de Artes de Berlim, Han tem atualizado os temas da filosofia alemã de maneira simples e original: analisando o homem contemporâneo, a subjetividade, as novas formas de dominação, a depressão e as esperanças, seus escritos parecem definir diretamente o que somos. Em seus livros, a característica principal é a concisão: A sociedade de transparência, A agonia de Eros e Psicopolítica, mais conhecidos em Portugal e na Espanha, são textos curtos, pequenos ensaios, que nem sequer ultrapassam duas dezenas de páginas.

A sociedade do cansaço é organizado em sete curtos capítulos. Han inicia definindo nossa época por meio de suas enfermidades: estas deixaram de ser bacteriológicas, com a descoberta dos antibióticos, e virais, com a imunologia, para se tornarem neuronais, com doenças como a depressão, o transtorno do déficit de atenção, entre outras. Não é um tratado de psicologia: é a sociedade inteira que funciona como se reagisse a uma violência de base sistêmica que o autor denomina de excesso de positividade. A seguir descreve a passagem da sociedade disciplinar (Foucault) para a sociedade de controle (Han), na qual a exploração do outro é superada pela autoexploração, e mostra como o excesso de estímulos modifica a economia da atenção.

A obra retorna a Nietzsche para recuperar a importância da pedagogia: é preciso novamente aprender a ler, pensar, falar e escrever na era pós-moderna “No empuxo daquela positivação geral do mundo, tanto o homem quanto a sociedade se transformam numa máquina de desempenho autista”, diz. O exemplo de Melvilles, Bartleby, a história de Wall Street, é a metáfora de Han para mostrar que nosso adoecimento provém da perversidade de nosso trabalho: “O cansaço da sociedade do desempenho é um cansaço solitário, que atua individualizando e isolando”.

No mundo em que somos estimulados 24 horas por dia, sete dias por semana (Jonathan Clary), seria de bom-tom desligar o smartphone para não se cansar. Você consegue?