AS FARC: UMA GUERRILHA SEM FINS?
Ao tomar posse no último dia 7 de agosto, o novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, foi recebido por uma mensagem das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia): “Conversemos”. Produto de um país com larga tradição de desigualdade social, conflitos agrários e violência política, as FARC já chegaram a controlar mais da metade do território colombiano em seus quase 50 anos de existência, arregimentando cerca de 20 mil combatentes em alguns momentos.
Mas o que são e o que querem as FARC? Estudioso do tema desde os anos 1970, o francês Daniel Pécaut, contribui para a busca destas respostas em As FARC: uma guerrilha sem fins? Além de tratar da história e dos objetivos militares e políticos da organização, a obra procura descrever suas formas de inserção na sociedade, modos de recrutamento, recursos financeiros e meios de ação.
O autor divide a história da guerrilha em quatro períodos: marcha lenta, expansão, ofensiva e recuo. Nos anos 1960, reivindicavam uma profunda transformação agrária e, com o tempo, acrescentaram a essa bandeira a da mudança radical nas estruturas políticas da Colômbia. Estenderam seu domínio sobre parte do país e mostraram força para ameaçar o regime. No entanto, envolveram-se na economia das drogas tornadas ilícitas, transformaram os sequestros em prática rotineira e “desenvolveram formas de dominação que já não consistiam em proteção, mas em intimidação, quando não terror”, aponta Pécaut.
Em sua opinião, a “combinação de todas as fórmulas de luta”, proposta desde o início das FARC, se mostrou inaplicável. Com o crescimento da esquerda colombiana se dando cada vez mais longe da luta armada, a guerrilha se aprisionou no plano militar que sempre priorizou. Já que tanto as FARC como o Exército colombiano não têm força o bastante para vencer, supõe-se que apenas uma saída política possa solucionar o conflito. A análise de Pécaut é importante para a compreensão desse processo, também iluminado pelas palavras do atual comandante das FARC, Alfonso Cano: “A guerrilha só se mantém porque as causas que a geraram persistem”.


