Cupherpunks:Liberdade e o futuro da internet

Estivéssemos nos anos 1990, ou se um dos autores não fosse o criador do WikiLeaks, Julian Assange, e estaríamos diante de um livro sobre teorias conspiratórias. O problema é que é tudo verdade. De modo geral, Cypherpunksfala sobre três liberdades fundamentais que estão ameaçadas ou perdidas: de comunicação, de circulação e de interação econômica. E a internet, ao mesmo tempo que é considerada ambiente livre, tem sido a ferramenta na perda dessas liberdades e na construção dessa sociedade do controle.

Os cypherpunks promovem a criptografia como meio provocador de mudanças sociais e políticas. Defendem “privacidade para os fracos, transparência para os poderosos”. Na outra trincheira, empresas e governos buscam cada vez mais saber tudo sobre todos, seja em nome do comércio personalizado, no primeiro caso, ou em nome do que chamam os quatro cavaleiros do infoapocalipse: pornografia infantil, terrorismo, lavagem de dinheiro e drogas. Sempre em nome deles é que se diminui a liberdade na rede.

Quando o livro fala em censura, não cita apenas casos como China ou Cuba, lugares-comuns do controle da internet. Fala de EUA, Inglaterra, Suécia. Sobre como sistemas de escuta permanente operam nas comunicações desses países, fazendo uma conversa num chat disparar os alarmes que levaram à prisão de Bradley Manning – preso sem direito à defesa porque era suspeito de vazar um vídeo ao WikiLeaks sobre assassinatos de cidadãos inocentes cometidos pelo Exército norte-americano.

O pan-óptico perfeito não monitora apenas conversas, mas cada vez mais a economia. “Duas companhias de crédito, ambas com uma infraestrutura eletrônica de autorização centralizada nos EUA, controlam a maioria dos pagamentos em cartão de crédito do planeta.”

Cypherpunks é um alerta, um chamado de urgência para o controle das sociedades pela tecnologia. Se você está no Facebook, entender isso faz toda a diferença. Ou, talvez, já não faça mais.