ECONOMIA DA ENERGIA – FUNDAMENTOS ECONÔMICOS, EVOLUÇÃO HISTÓRICA E ORGANIZAÇÃO INDUSTRIAL
Num contexto de preocupação global com a escassez de fontes de energia e – paradoxalmente – de euforia dos brasileiros com o tesouro submerso do pré-sal, é difícil imaginar uma obra mais oportuna. Essa coleção de textos de especialistas em energia do Instituto de Economia da UFRJ apresenta, em linguagem ao alcance dos leigos, as informações indispensáveis para entender alguns dos principais impasses da atualidade. A leitura equivale a um curso básico sobre os principais itens da questão energética – da dependência do gás boliviano ao risco do apagão elétrico, das regras de repartição dos lucros petroleiros à perspectiva de novas tecnologias e fontes alternativas de energia.
Seu maior mérito, à parte a clareza e o rigor das informações, é o de lançar um olhar brasileiro sobre o assunto, em contraste com a cobertura enviesada da mídia empresarial, que mal consegue disfarçar sua condição de agente a serviço da rede global de negócios da energia. Uma leitura atenta permite desmascarar, por exemplo, a falácia da imprensa brasileira e suas fontes – em geral, consultores de empresas sob a roupagem de “especialistas independentes” – que atribuem as descobertas na Bacia de Santos ao ingresso de capital privado após a “abertura” do setor no governo de FHC. Na realidade, como o livro esclarece, as proezas recentes são o resultado de uma estratégia de investimento em pioneirismo tecnológico que remonta à década de 1970, em plena era do monopólio estatal.
Por fim, uma ressalva que não quer se calar: a ausência, quase completa, da questão ambiental. Os efeitos catastróficos dos combustíveis fósseis são omitidos como se não constituíssem uma parte essencial da equação energética. Faz falta uma visão mais holística, que integre no mesmo corpo de pensamento a produção de energia e seu impacto ambiental. Como falar de agrocombustíveis, por exemplo, sem considerar a devastação de florestas causada por essa alternativa energética falsamente “limpa”? Para o bem do desenvolvimento sustentável – e da sobrevivência do planeta –, energia e meio-ambiente devem deixar de ser vistos em separado.


