Extinção

Paulo Arantes costuma dizer que, para entender o complexo momento em que vivemos, não basta ficar com as “boas verdades de sempre”. É preciso olhar para as “coisas novas e ruins”. É o que faz em Extinção, coletânea de ensaios e entrevistas sobre o mundo pós-11 de setembro e sobre o Brasil pós-eleição de Lula. Segundo Arantes, vivemos hoje um estado de sítio global, no qual os Estados Unidos substituíram o direito internacional e assumiram a função de polícia a fim de preservar sua nova ordem imperial.

          Arantes dialoga com a formulação do Império, de Michael Hardt e Toni Negri, mas, ao contrário destes, o identifica claramente com o “novo imperialismo” norte-americano, baseado em uma rede global de bases militares.

            Sua análise chama a atenção para uma regressão histórica na qual o “novo imperialismo” estaria ressuscitando antigas práticas coloniais e até medievais, como o renascimento da acumulação primitiva por meio da pilhagem dos territórios anexados e a reedição do conceito de “guerra justa”. A transformação mundial vem acompanhada de um processo equivalente no Brasil, onde a compreensível frustração com o governo Lula abre caminho para uma onda reacionária que fortalece o lado mais autoritário da sociedade.