GEOPOLÍTICA DAS DROGAS

Na nossa época, a guerra e as drogas estão inextricavelmente ligadas. Em Geopolítica das drogas, Alain Labrousse analisa a relação entre a proibição das drogas e os conflitos. O maior significado dessa proibição é agregar valor às substâncias psicoativas, tornando-as moeda central do financiamento de grupos armados e de serviços secretos estatais, o que unifica as redes de um politráfico que obtém rendas vultosas e anônimas.
A origem desse sistema nasce dos serviços secretos, especialmente dos EUA, que durante a Segunda Guerra se vincularam, na Europa, à máfia siciliana e, depois, aos remanescentes do Kuomintang chinês, no “triângulo dourado”. Durante a guerra do Vietnã, se associam com governos que se beneficiavam com o tráfico. Na América Central, durante os anos 1980, foram reveladas as conexões entre a CIA e o tráfico de cocaína. Apenas as drogas cujas matérias-primas são cultivadas constituiriam um problema especificamente geopolítico, pois sua produção abrange territórios e populações (apenas em Marrocos, 800 mil pessoas vivem do plantio da Cannabis); drogas sintéticas teriam menor importância geopolítica e são pouco enfocadas, da mesma forma que a produção interna dos EUA e a sua rede de distribuição varejista que, embora o autor reconheça ser a mais lucrativa, não é analisada. O impacto dos Programas de Ajustes Estruturais exigidos pelo FMI aos países andinos, desde os anos 1970, levou ao declínio da sua agricultura e impulsionou o crescimento das áreas de plantio de coca. Além das máfias e dos serviços secretos, muitos governos se envolveram cada vez mais no tráfico internacional.
Cético em relação a mudanças próximas na legislação internacional, talvez por não levar em consideração o contexto interno dos EUA e demais países centrais – onde se amplia tanto a produção como a descriminalização de drogas, especialmente a maconha –, este livro é útil por elucidar os lucros de um negócio que a própria proibição incita, ao elevar enormemente a sua rentabilidade numa escalada de ganhos.