LIDERANÇAS PARA A DEMOCRACIA PARTICIPATIVA: EXPERIÊNCIAS A PARTIR DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO
Apesar de sabermos da importância da Igreja Católica, especialmente da Teologia da Libertação, na formação de líderes que hoje ocupam a cena política do país, há poucos registros dessas experiências. Esta é uma das virtudes desta coletânea, formada por oito relatos de formação de trabalhadores do campo e da cidade. Gente simples, que não se tornou grande liderança nacional, mas fez e faz história no seu município.
Os autores, com vasta experiência participativa, nos apresentam os métodos pedagógicos e os líderes que hoje atuam em movimentos sociais, cooperativas, partidos políticos, sindicatos, associações e órgãos do governo.
Não deixa de chamar atenção algumas recorrências em todos os casos, quanto aos métodos (muito influenciados pelo “ver, julgar e agir”) e ao público (majoritariamente jovem). Chama a atenção também o sentido político dessas formações, voltadas para “a opção preferencial pelos pobres”, mobilizando os participantes contra a injustiça e a opressão. O resultado foi a atuação dos líderes tanto junto ao Estado, na luta por direitos e políticas públicas, quanto de forma independente e complementar ao Estado, com ações de saúde, educação e assistência em localidades aonde este não chegava.
É pena que os relatos dos próprios participantes dos cursos de formação apareçam pouco ao longo do livro. Nesse sentido, vale a pena conferir a envolvente narração da trajetória de Generosa, de 65 anos, até se tornar vereadora.
Por fim, vale destacar que Lideranças para a democracia participativa tem outro mérito: funciona como um alerta. Em tempos outros, quando a Igreja Católica está dominada por correntes mais conservadoras e atua com menos força e intensidade na formação de lideranças para a cidadania, uma pergunta que está presente no capítulo final do livro e que permeia todos os capítulos surge com força: com que conteúdos e projetos políticos estão sendo formados os novos líderes de amanhã?


