Mestres

O autor é o atual editor em língua portuguesa do importante Le Monde Diplomatique. A partir de duas experiências seminais, abandonou o ateísmo e se lançou na busca e na vivência da espiritualidade. Curiosamente, não escolheu o caminho de alguma religião. Mas o da espiritualidade. Tal fato é rico de significação e conseqüências. Normalmente, as religiões geram conflitos internos e, não raro, guerras. A espiritualidade produz a paz e o encontro dos espíritos. As religiões falam sobre Deus e se expressam por doutrinas, códigos éticos e rituais de celebração. A espiritualidade fala com Deus e faz a experiência do Mistério. A espiritualidade vê pontos de contato e de convergências onde geralmente as religiões apontam distinções e até divergências.

A busca da humanidade hoje é mais por espiritualidade do que por religião. Não quer saber de Deus por ouvir dizer, mas fazer uma experiência pessoal de Deus. O livro de Arantes representa um convite para essa aventura.

O contexto maior em que se situa é a generalizada perplexidade, a experiência de desamparo e de sem saída para a crise civilizacional que nos aflige. Na verdade, todos, alguns mais, outros menos, perdemos o centro. Onde vamos nos abastecer para reconstruí-lo? Como descobrir o potencial espiritual e místico presente em cada um de nós? É então que surgem as figuras dos Mestres. Eles mergulharam radicalmente no Abismo alimentador de tudo, sentiram-se envolvidos por uma Energia Suprema que conferiu sentido pleno a suas vidas. Arantes revisitou alguns Mestres da humanidade, a começar por Jesus, passando por Plotino, Shankaracharya, Maimônides, Ibn Árabi, Francisco de Assis, Rumi, Kabir, Itzhak Luria, Goethe, Steiner, até culminar no singularíssimo entre todos, Babaji. Este, oriundo da Índia, alcançou tal comunhão com a Realidade Última que se tornou imortal. Segundo a crença de muitos, partilhada pelo autor, ele continua na humanidade, escondido, mas em íntima conexão com o Cristo Cósmico, trabalhando incansavelmente para a evolução espiritual da humanidade.

Este livro de Arantes é uma bela iniciação à espiritualidade, num discurso aberto e ecumênico, capaz de suscitar no leitor a vontade de entrar também nesta aventura. E ela promete trazer bem-aventurança.