O TERRORISMO DE ESTADO NA COLÔMBIA
Em O terrorismo de Estado na Colômbia, o jornalista Hernando Calvo Ospina resume a história política de seu país (com foco no período que vai da Guerra Fria até o governo Uribe) à luta de classes, onde “a oligarquia” utiliza variadas formas de terror de Estado para manter sua dominação sobre “o povo”. Partidos políticos, Forças Armadas, grupos paramilitares e narcotraficantes seriam os instrumentos desse terror e os cúmplices da perseguição sofrida pelos que enfrentassem o status quo (grupos insurgentes, sindicalistas e camponeses). Essa repressão se daria com o apoio dos Estados Unidos, cujas recorrentes intervenções militarizariam cada vez mais o conflito colombiano.
Nesses termos, por um lado, o livro não apresenta nenhuma contribuição original em termos teóricos, pois simplesmente aplica a estrutura lógica do pensamento marxista clássico ao caso da Colômbia. Por outro lado, a contribuição de Ospina se faz relevante devido às inquietantes denúncias apresentadas. Um fato negativo, no entanto, é que, por diversas vezes, o autor pretende contestar a “história oficial”, mas não indica as fontes que embasariam algumas de suas versões alternativas dos acontecimentos. Além disso, o texto tem caráter muito subjetivo e até mesmo passional em certos pontos, sendo mais bem definido como uma “denúncia” de abrangência histórica feita por um competente e engajado jornalista investigativo do que propriamente uma análise historiográfica mais rigorosa.
Assim, o livro de Ospina é útil para aqueles que buscam subsídios para militar contra os atores tradicionalmente no poder na Colômbia. No entanto, não é indicado para o leitor que procura algo dentro dos padrões acadêmicos de rigor metodológico. Mesmo diante dessas questões, a obra é relevante, pois se trata de uma bem-vinda provocação para que os estudiosos brasileiros se aprofundem no estudo da política colombiana, seja concordando ou criticando a abordagem escolhida por Ospina.


