Orientalismo

“Vinte e cinco anos depois da publicação do meu livro, Orientalismo mais uma vez suscita a questão de saber se algum dia o imperialismo moderno chegou ao fim”, observa Edward Said, no prefácio à edição de 2003 de sua obra clássica, agora re-lançada no Brasil, pela Companhia das Letras, na versão de bolso. Escrito pouco antes de sua morte (em 25 de setembro daquele ano), o prefácio incorpora uma reflexão sobre o atentado de 2001 e os ataques subseqüentes dos Estados Unidos ao Afeganistão e ao Iraque.

Said argumenta que tanto o atentado quanto a reação foram resultado de interesses concretos, ocultados pela grotesca retórica do “choque de civilizações”: “Reflexão, debate, argumentação racional, princípios morais baseados na noção secular de que o ser humano deve criar sua própria história – tudo isso foi substituído por idéias abstratas que celebram a excepcionalidade americana ou ocidental, denigrem a relevância do contexto e vêem as outras culturas com desprezo e descaso”.

Para o público brasileiro, sua leitura é obrigatória (não por acaso, a 1ª edição brasileira, de 1990, está há muito esgotada), por uma razão simples: o livro, precursor dos estudos pós-coloniais, é fundamental para esclarecer os mecanismos de dominação cultural aos quais a América Latina foi historicamente submetida. A reedição, portanto, é extremamente bem vinda.