Os monoteístas, volume 1: os povos de Deus
O tema do monoteísmo fascina, intriga e inspira. Crentes ou não, a fé em um único Deus apresenta facetas que sempre atraíram os estudiosos e as pessoas comuns. Deuses e deusas, espíritos e outros seres poderosos povoaram, e ainda povoam, o imaginário humano. Como entender o surgimento e a difusão de religiões monoteístas? Este é o grande desafio assumido pelo grande especialista no Oriente Médio, Francis Edwards Peters, professor da Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos.
O livro mescla, a cada passo, trechos que tratam do judaísmo, do cristianismo e do islamismo, de modo que ficam evidentes suas semelhanças e diferenças. Para isso, o volume está organizado em torno de alguns grandes temas, como “comunidade e autoridade”, ou sobre os pais fundadores das religiões monoteístas, Abraão, Jesus e Maomé.
Abraão, o patriarca hebreu, é um personagem nas profundezas da penumbra histórica, um fundador mítico de um povo. Jesus já é um ser humano, mas ainda muito pouco histórico, pois se apresenta à luz da crença, como Cristo, o Messias da Ressurreição. Maomé é todo homem, histórico e de carne e osso, apenas ao final levado ao Céu.
O monoteísmo hebraico é uma criação coletiva, do povo judeu que nomeou seu fundador como “o antepassado” – esse é o sentido do nome Abraão. O cristão já tem uma autoria mais histórica com Jesus e Paulo de Tarso, o judeu que, sem ter conhecido o filho de Deus, foi capaz de fundar uma nova concepção religiosa monoteísta. Por fim, Maomé. Um homem em sua inteireza, cheio de qualidades e defeitos, com parentes, amigos e desafetos, transformado em profeta infalível apenas no momento em que ascende ao Céu.
Enfim, o livro de Peters serve como obra de referência para todos os interessados nesse imenso tema: o monoteísmo. Religiosos, historiadores, estudiosos das relações internacionais, sociólogos, para todos que têm curiosidade por esta questão essencial de nossa época.


