Saídas de emergência: ganhar/perder a vida na periferia de São Paulo - Le Monde Diplomatique

Saídas de emergência: ganhar/perder a vida na periferia de São Paulo

4 de Janeiro de 2012
compartilhar
visualização

Salve-se quem puder! Com Saídas de emergêncianos aproximamos da crua realidade das periferias de São Paulo. Os vários pesquisadores, por meio de etnografias, delineiam o que é viver nessa cidade e trazem a público as trajetórias e experiências daqueles que ganham e perdem a vida em sua periferia.

Sem adjetivar essa dinâmica social, os autores se dispõem a retratar a realidade das camadas populares sem partir de ausências ou comparações com outras épocas e, portanto, abandonam toda valoração comparativa. Narram o que ouvem e veem desde seu movimento próprio para compreender como quem mora nas periferias longínquas, ou nem tão longínquas, sobrevive e vive.

Os relatos reunidos dão notícias das escolhas – ou da redução de seus horizontes – diante de políticas sociais transformadas em gestão da pobreza, do truncamento das trajetórias pessoais e coletivas diante da erosão do mercado de trabalho nos anos 1990, das políticas de encarceramento em massa que fizeram explodir a população juvenil nas cadeias, da transformação das formas de representação das entidades sociais e das associações − trânsitos esses que alteram e ressignificam as categorias do mundo público e dos espaços privados. Trata-se de perceber, a partir das várias perspectivas, as respostas das camadas mais pobres à tormenta neoliberal.

O estranhamento em Saídas de emergência não vem das condições de vida retratadas, que, do ponto de vista de alguns indicadores de acesso a serviços básicos, até melhorou. O que impressiona é o “salve-se quem puder” como lógica, que recrudesce a privatização da vida, de modo que não se plasma – pelo menos não ainda de maneira tangível – algum tipo de organização política/pública que se contraponha ao mundo administrado da gestão do social por organizações sociais e filantrópicas ou as saídas através do individualismo religioso e solidário.

O leitor tem em mãos um livro que nos faz questionar a naturalização do inferno urbano nos quais se transformaram nossas cidades, especialmente aqueles territórios onde vivem Doralices e Amaros, e suas saídas de emergência.



Artigos Relacionados

Feminismos transnacionais

O paradoxo da justiça climática no Brasil: o que é e para quem?

por Andréia Coutinho Louback
Guilhotina

Guilhotina #77 – João Cezar de Castro Rocha

RESENHAS

Miscelânea

A PRISÃO PERPÉTUA DE GEORGES IBRAHIM ABDALLAH PARA AGRADAR AOS ESTADOS UNIDOS

Terrorista um dia, sempre terrorista?

por Pierre Carles
MINERAÇÃO ESTRATÉGICA NO CORAÇÃO DO CONFLITO COMERCIAL SINO-AMERICANO

A guerra das terras-raras vai acontecer?

Edição 157 | China
por Camille Bortolini
AS INFLUÊNCIAS DE J. R. R. TOLKIEN

O mundo ideal dos hobbits

por Evelyne Pieiller
NO JAPÃO, O PESO DA HIERARQUIA

“Língua servil” e sociedade da submissão

Edição 157 | Japão
por Akira Mizubayashi
UM ESCRITOR, UM PAÍS

Babel jovem e inocente

Edição 157 | China
por Yan Lianke