Trajetórias: capitalismo neoliberal e reformas econômicas nos países da periferia
A história é sempre imensamente instrutiva, além de constituir leitura apaixonante. No caso, o autor retraça as “trajetórias”, ou a história econômica recente da Índia, da Coréia e da Argentina, permitindo ao leitor ir além das úteis, mas freqüentemente cansativas refutações teóricas do neoliberalismo, e ver como as suas aplicações se manifestaram na prática em países concretos. Além do estudo aprofundado dos três casos mencionados, ele estabelece numerosos paralelos com o Brasil, a Turquia e o México.
Trata-se de um estudo de desenvolvimento comparado, enfoque que ajuda a entender os processos econômicos na sua complexidade. Ao retratar as dinâmicas anteriores ao processo recente de globalização, basicamente a partir do pós-II Guerra Mundial, para em seguida mostrar como o neoliberalismo foi reorientando as políticas econômicas de forma diferenciada segundo o contexto político e cultural, o autor evidencia esta interação crucial entre as determinantes globais e o reordenamento dos interesses e das instituições em cada país.
A tragetória econômica no Brasil sofreu muito das simplificações abusivas, ora apresentando o país como joguete dos interesses externos, ora como potência autônoma. Neste sentido, ainda que o Brasil apareça na obra de forma apenas marginal, lendo as partes teóricas e as descrições das experiências, temos o permanente sentimento de vê-lo espelhado, e entendemos melhor a nossa trajetória ao observar como desafios semelhantes foram enfrentados em outras terras.
É, portanto, de um estudo de casos a partir de uma visão sistêmica. Como o autor, além da análise, comenta freqüentemente as alternativas possíveis, o livro torna-se uma rica fonte de discussão metodológica. Para quem quer entender as dinâmicas atuais, a obra traz uma visão organizada de maneira competente e fortemente crítica. A bibliografia é muito competente, e constitui um instrumento de trabalho em si.


