Entre a romantização e o punitivismo: o que resta à loucura?
Se o louco segue servindo como signo de desqualificação política entre adversários, o que dizer de sua vida política, ou seja, de sua agência como sujeito da polis?

Se o louco segue servindo como signo de desqualificação política entre adversários, o que dizer de sua vida política, ou seja, de sua agência como sujeito da polis?
Como falar de avanços da luta antimanicomial num cenário em que recursos que poderiam ser direcionados para ampliação e qualificação da rede substitutiva estão sendo drenados e escoados em direção contrária?
Torna-se necessária a compreensão de que a manicomialização e o racismo ancoram-se numa mesma estrutura: a produção da desumanização em nome de uma ideia universal de razão. Que modelo de sociedade é esse que continua produzindo sujeitos descartáveis para sustentar sua ideia de normalidade?
A proliferação de políticas de internação compulsória revela um projeto higienista de exclusão social que viola a Constituição, tratados internacionais e décadas de conquistas da Reforma Psiquiátrica
Apesar de não serem dispositivos de saúde e assistência social, as comunidades terapêuticas propõem ofertar um “tratamento” partindo da abstinência, da centralidade do trabalho forçado e da religião como forma de cura