Mestiçagem, redes sociais e a fabricação do “inimigo identitário”
Mas quem, afinal, é esse “identitário” que tanto assombra parte dos debates acadêmicos e políticos contemporâneos?

Mas quem, afinal, é esse “identitário” que tanto assombra parte dos debates acadêmicos e políticos contemporâneos?
O problema não está na cor de quem sofre, mas no olhar racializado de quem discrimina. A passabilidade não anula o racismo, apenas o torna mais sorrateiro e, por isso mesmo, mais cruel
Se hoje a arte contemporânea pauta constantemente o debate pós-colonial, no passado não era assim: por isso a tela de Portinari é especial. Apesar de, neste caso, temos a repetição comum de um autor branco se debruçando sobre o tema da mestiçagem, a abordagem de Portinari evidencia a consciência de classe do pós-abolição. O mestiço não ilustra apenas um brasileiro nato numa nação construída a partir da mistura violenta de raças. A obra evidencia também a cor da classe trabalhadora do Brasil.