Garimpo e arrendamento, duas faces da mesma moeda
Ouro e soja: produtos amarelados, tipo exportação, cujos destinos se entrecruzam nos continentes europeu e asiático, violando direitos de milhares de famílias indígenas brasileiras pelo caminho

Ouro e soja: produtos amarelados, tipo exportação, cujos destinos se entrecruzam nos continentes europeu e asiático, violando direitos de milhares de famílias indígenas brasileiras pelo caminho
A tragédia que se abate sobre os povos indígenas brasileiros, especialmente os Yanomami, é um dos mais graves crimes já cometidos na história recente brasileira – já tão cheia de horrores. A gravidade da situação é ainda maior se pensarmos que aquela é apenas a ponta de iceberg da imensa crise ambiental
A tragédia humanitária que acomete o povo Yanomami não resulta de fato esporádico e repentino, mas de paulatina sistematização de ações/omissões destrutivas e violadoras dos direitos humanos fundamentais
Ao contrário do que apregoa o discurso do governo federal, o garimpo ilegal praticado nas TIs não é atividade exclusiva de uma massa de homens pobres que enfrentam a floresta em busca de sobrevivência. É, na verdade, um empreendimento empresarial que envolve uma gama de atores altamente capitalizados
Trinta anos atrás uma grande “corrida do ouro” tomava conta do território yanomami causando degradação social e ambiental, situação que arrefeceu após a demarcação da Terra Indígena Yanomami em 1992. Hoje, sob o governo Bolsonaro, a invasão garimpeira volta a assombrar o destino dos Yanomami e Ye’kwana, assumindo proporções inimagináveis. Mesmo repaginado, com novas estruturas e formas de atuação, o garimpo segue deixando rastros de morte pela floresta, especialmente agora com a Covid-19
A jornalista e poeta indígena Renata Tupinambá traz entrevistas e relatos de indígenas Yanomami e sertanistas sobre como o garimpo sempre foi, e ainda é, fonte de violências, mortes e doenças. Ouça em seu tocador favorito ou nesta postagem.