Tucídides, um bode expiatório conveniente
Uma provocação da primeira-ministra do Japão sobre Taiwan reacendeu a perspectiva de um conflito no Leste Asiático. Exercícios militares sino-russos são respondidos com manobras japonesas e de seu aliado norte-americano. Mesmo que demonstrações de força não equivalham a uma declaração de guerra, o risco de conflagração permanece latente. Para alguns, um confronto armado entre Washington e Pequim seria inevitável
Em 30 de outubro de 2025, o presidente norte-americano, Donald Trump, encontrou-se com seu homólogo chinês, Xi Jinping, em Busan, na Coreia do Sul, à margem da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec). O encontro completou as negociações ministeriais realizadas em Madri, em setembro de 2025, que haviam aberto caminho para uma desescalada da guerra comercial lançada pelo ocupante da Casa Branca.[1] Descrita por Trump como “um grande sucesso”, a reunião em Busan ilustrou, sobretudo, os limites da estratégia norte-americana de instrumentalizar a interdependência diante de um concorrente hoje capaz de rivalizar com Washington nesse campo. Isso porque, se ambas as partes recuaram – os Estados Unidos quanto às tarifas aduaneiras com que ameaçavam a China, e esta quanto às restrições ao comércio de terras-raras que havia insinuado –, Pequim saiu fortalecida do episódio. Para além do fracasso da coerção comercial brutal tentada por Washington, as ferramentas mais originais acionadas…

