Empresas socialmente responsáveis?
De tempos em tempos, a ideia volta: fantasiar o lobo para que ele se comporte como um cão pastor. Apesar dos fracassos sistemáticos, a esperança renasce, a cada vez acompanhada de novos métodos, mais eficazes. É o caso da proposta de criar empresas responsáveis, que apaziguariam os antagonismos nos locais de trabalho
“Você acaba de derrubar a estátua de Milton Friedman!” Emmanuel Faber está orgulhoso em 26 de junho de 2020. Na assembleia geral da Danone, os acionistas, com mais de 99% dos votos, apoiaram a qualificação da empresa à mission,* um estatuto criado pela Lei Pacte – plano de ação para o crescimento e transformação das empresas –, de 2019. Foi uma estreia para uma sociedade francesa cotada em Bolsa e um verdadeiro desaforo ao economista norte-americano preferido do patronato liberal. De agora em diante, a “razão de ser” da gigante alimentar não será mais apenas o lucro, mas também, e mais nobremente, “melhorar a saúde”, “preservar o planeta e renovar os recursos”. “Patrão humanista e atípico”, como gosta de descrevê-lo a imprensa de economia, Faber não se contenta apenas em contemplar diariamente, em seu escritório, a fotografia de um sem-teto tirada por Lee Jeffries: ele renunciou também à sua aposentadoria…

