As privatizações em São Paulo
Uma reflexão sobre como as políticas neoliberais impactam o direito à cidade e o acesso da população mais pobre aos serviços de infraestrutura

Uma reflexão sobre como as políticas neoliberais impactam o direito à cidade e o acesso da população mais pobre aos serviços de infraestrutura
Para o capitalismo é fundamental que o trabalhador não se reconheça na sua própria criação. No caso do professor, isso se reflete da seguinte maneira: o conhecimento que adquiriu com montanhas de livros, congressos, dissertações e teses não deve estar no produto final. O capitalismo não quer um cidadão crítico
As emendas parlamentares encaminham o ensino público superior para um modelo em que a universidade passa a depender cada vez mais da dinâmica política conjuntural do Congresso
Sob a lógica do teto de gastos e das prioridades fiscais, os investimentos públicos passam por uma seleção política que raramente é neutra. No campo da educação, essa dinâmica tem produzido um deslocamento sistemático de recursos da educação básica para o ensino superior, aprofundando desigualdades sociais e consolidando a precarização da escola pública como parte de um projeto neoliberal mais amplo, com impactos diretos sobre a democracia
A teocratização da sociedade brasileira é um projeto político organizado e em curso, no qual a escola neoliberal desempenha papel central ao promover a pedagogização cristã e a conformação subjetiva. Práticas religiosas apresentadas como neutras ou formativas não são desvios, mas instrumentos de uma racionalidade que articula fé, gestão e governo para sustentar a superexploração capitalista
A cultura de direita produz “máquinas mitológicas” como dispositivos narrativos combinando fatos e ficções politicamente capitalizáveis
A reflexão de Quinn Slobodian ganha novos contornos em Hayek’s Bastards: Race, IQ and the Capitalism of the Far Right, obra publicada em abril deste ano
É urgente rever estruturas que concentram privilégios no topo do funcionalismo
Sob o neoliberalismo, a universidade deixou de ser refúgio dos “excêntricos” e transformou-se em fábrica de autopromoção. O pesquisador, em vez de intelectual público, converteu-se em gestor de si mesmo
O que Foucault faz ver em seus escritos sobre o neoliberalismo é, precisamente, que a lógica do capital humano não é mais a das antigas relações entre empregador e empregado, mas de empresas negociando entre si
Querer fazer “um bom podcast” não é problema em si, mas quando isso se torna uma captura do desejo do outro, quando se impõe um formato como modelo, estamos diante de um processo de subjetivação policial, de achatamento das diferenças, de uma exigência de que o outro entre em um molde, em um ritmo, em um fluxo domesticado
Diante do silêncio, em resposta às tentativas de negociar, só resta ao Brasil retaliar, onerando na mesma proporção as importações de bens e serviços provenientes dos EUA – e na medida em que repercutam no mercado americano, venham eles conversar