GUILHERME BOULOS NA SECRETARIA-GERAL DA PRESIDÊNCIA

Um novo elo entre governo e povo

Uma escolha não apenas política, mas também simbólica 

A nomeação de Guilherme Boulos para o cargo de Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, oficializada no último dia 20 de outubro de 2025, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marca um movimento político de profundo significado para o governo federal e para a esquerda brasileira como um todo. 

Mais do que uma simples troca de nomes na Esplanada, a entrada de Boulos simboliza um gesto de reconexão entre o Palácio do Planalto e os movimentos sociais, bem como um passo decisivo na renovação geracional e ideológica do campo de esquerda e progressista. 

Um novo tempo de diálogo com os movimentos sociais 

Desde os primeiros mandatos de Lula, a Secretaria-Geral da Presidência tem sido um espaço simbólico de interlocução entre o governo e a sociedade organizada. Com a chegada de Boulos, esse papel ganha novo fôlego. 

Coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) por anos, o novo ministro carrega décadas de experiência na organização popular e na defesa do direito à moradia e à dignidade urbana. 

Sua trajetória combina militância social e prática institucional: após ser eleito deputado federal por São Paulo, destacou-se na Câmara dos Deputados como uma das vozes mais ativas em pautas de combate à desigualdade, justiça tributária e defesa dos trabalhadores. 

A escolha de Lula, portanto, não é apenas política é também simbólica. Representa o retorno de uma lógica de governo em que os movimentos populares não são vistos como ameaça, mas como parceiros estratégicos na construção de políticas públicas. 

Boulos assume a missão de estreitar laços com as bases sociais e reconstruir pontes com segmentos populares que foram fragilizados após anos de desmobilização e ataques a direitos, desde o golpe de 2016 contra a presidente Dilma e os árduos anos do governo Bolsonaro. 

Renovação e ampliação do campo de esquerda e progressista 

Em um contexto de polarização e de esgotamento de velhas formas de fazer política, a presença de Guilherme Boulos no primeiro escalão representa um gesto de renovação e continuidade ao mesmo tempo. 

Renovação, porque traz à Esplanada uma liderança jovem, articulada e com alta capacidade de diálogo com as novas gerações e com o universo digital. 

Continuidade, porque reafirma a vocação histórica do governo Lula de governar com o povo e para o povo, mantendo viva a tradição de interlocução com a sociedade civil organizada. 

Ao incluir um quadro formado na luta popular e filiado ao PSOL em um cargo estratégico do núcleo do governo, o presidente Lula sinaliza amplitude política. O gesto abre espaço para um diálogo mais consistente entre as diferentes vertentes da esquerda, fortalecendo o campo progressista diante dos desafios de 2026. 

Pontes entre gestão e mobilização popular 

A Secretaria Geral da Presidência tem papel crucial na articulação política do governo. É ali que se desenham estratégias de participação social, acompanhamento de políticas públicas e comunicação direta com movimentos populares, sindicatos e coletivos. 

A presença de Boulos nesse espaço promete reaproximar a gestão federal das demandas concretas da sociedade civil, garantindo que o discurso de inclusão e justiça social se traduza em práticas efetivas. 

Boulos, acostumado a lidar com o chão da periferia e com a realidade das cidades brasileiras, chega ao governo com sensibilidade social e credibilidade junto às bases – atributos que o diferenciam e fortalecem o caráter popular da atual gestão. 

Sua chegada também representa uma oportunidade para injetar novo ânimo na interlocução com o povo trabalhador, aproximando o Planalto das vozes que historicamente formam a espinha dorsal da esquerda brasileira. 

Essa capacidade interlocução ficou evidente na convocação do dia 21 de setembro contra a PEC da Blindagem, em que Boulos exerceu um papel central ao unificar movimentos sociais, sindicatos e parlamentares em defesa da democracia e contra privilégios políticos.  

Desafios à altura do simbolismo 

A nomeação, contudo, vem acompanhada de grandes expectativas. 

Cabe a Boulos equilibrar o ímpeto mobilizador de sua militância com a responsabilidade institucional de um cargo de Estado. O desafio é transformar energia política em resultados concretos: diálogo efetivo, programas sociais fortalecidos e políticas públicas mais participativas. 

Mas se há alguém capaz de transitar entre as ruas e os gabinetes sem perder a coerência, é ele. 

Fotografia de Guilherme Boulos e Lula apertando as mãos. Ambos estão sentados e sorrindo.
Crédito: @leandropaivac/Reprodução/@guilhermeboulos

Um novo capítulo para a esquerda brasileira 

A entrada de Guilherme Boulos na Secretaria-Geral da Presidência é, portanto, mais do que uma mudança de nomes é um sinal de tempos novos. 

É o reconhecimento de que a política institucional precisa se reencontrar com a política das ruas, e que a governabilidade só se sustenta quando o governo escuta, dialoga e compartilha decisões com o povo. 

Ao fortalecer o elo entre Estado e sociedade, a nomeação de Boulos representa um avanço estratégico e simbólico. 

Num país ainda marcado por desigualdades estruturais, sua presença no coração do governo é um lembrete de que a transformação social começa pela escuta e pela coragem de fazer diferente. 

Mais do que um novo ministro, o Brasil ganha um porta-voz das periferias, dos sem-teto, dos trabalhadores e das juventudes. 

E o governo Lula reafirma, com esse gesto, que não há reconstrução democrática sem a presença ativa do povo na política. 

Criticar sua indicação por “falta de experiência institucional” é ignorar que a mudança real muitas vezes vem de fora dos palácios. Boulos traz consigo o frescor de quem entende o poder como ferramenta de transformação, não de perpetuação de privilégios. Seu desafio será traduzir a urgência das ruas em políticas efetivas, mas sua nomeação já é, por si só, uma vitória para quem acredita que o Brasil precisa de ousadia para superar suas crises.  

Que seu mandato seja marcado pela coragem de enfrentar os poderes estabelecidos e pela firmeza em defender os que mais precisam do Estado. A esperança, agora, é que sua voz ecoe dentro do governo como ecoou nas ocupações e nas lutas populares. O Brasil precisa disso! 

 

Tiago Paraiba é tesoureiro Nacional do PSOL e Militante da Ação Negra. 

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