GRANDES FAZENDAS PRODUZEM GRANDES GRIPES

Rob Wallace no Brasil: por uma epidemiologia crítica ao capitalismo

O giro de Rob Wallace pelo Brasil começa neste domingo (23) com um papo na Livraria Megafauna, em São Paulo

O epidemiologista estadunidense Rob Wallace está de passagem pelo Brasil para um conjunto de atividades no entorno da publicação do seu livro Grandes fazendas produzem grandes gripes, pela editora Igrá Kniga.

Crédito: Divulgação/Editora Igrá Kniga

Wallace foi tema de um episódio do podcast Guilhotina #80, quando conversei com Luís Brasilino e Bianca Pyl em meio aos tempos difíceis da pandemia, em busca de posicionar as origens da pandemia de COVID-19 na industrialização globalizada dos sistemas alimentares corporativos e nos rastros ambientais destrutivos do agronegócio, em ambos os hemisférios.

As pesquisas de Rob Wallace são instigantes porque mobilizam a biologia, a epidemiologia crítica e geografia para compreender o papel dos sistemas alimentares corporativos na produção das epidemias de Ebola, Gripe Suína e, com atenção especial, da Gripe Aviária – esta última já deixou um rastro de destruição inacreditável com a morte de dezenas de milhares de leões marinhos, elefantes marinhos, golfinhos e aves – em sua escalada cotidiana rumo à pandemicidade catastrófica também para seres humanos.

No capítulo “Um estranho algodão”, por exemplo, Wallace remonta a história escravista do agronegócio no vale do Rio Mississipi: a grande fazenda de algodão, tal como retratada em 12 anos de escravidão, deixou marcas indeléveis na ecologia e na sociedade do nosso tempo, que só o desmonte do capitalismo racializado pode superar. Celebrado por Noam Chomsky, Mike Davis e John Bellamy Foster, este livro produz uma alteração radical nas formas de compreensão da natureza e das doenças sob o capitalismo – e não deixam de atribuir as devidas responsabilidades, dos EUA à China ou ao Brasil – sem, contudo, deixar de abrir espaço para um mundo onde caibam muitos mundos.

O giro de Rob Wallace pelo Brasil começa neste domingo (23) com um papo na Livraria Megafauna, em São Paulo. Na segunda (24) Wallace marca presença em dois eventos na Universidade de São Paulo: o Colóquio Internacional “Biotecnodiversidade face à Era das Homogeneizações” – organizado pelo grupo Chama-USP, que também conta com a ilustre presença de Malcom Ferdinand, autor de Uma Ecologia Decolonial (Editora Ubu) e, mais tarde, uma atividade com a influente nutricionista Marion Nestle, autora de Uma verdade indigesta (Editora Elefante), na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

Na sequência da sua viagem, Wallace vai para o Rio de Janeiro, onde participa do Seminário Internacional (in)SAM: (In)segurança Alimentar sob o Microscópio: Repensando a relação entre sistemas alimentares, microrganismos e normas sanitárias, entre 26 e 27 de novembro.

No dia 28 há ainda um lançamento do seu livro no Armazém do Campo de Brasília, a partir das 17:30h.

Expediente:

São Paulo
Lançamento do livro na Livraria Megafauna: 23/11, 16h.
Colóquio Internacional “Biotecnodiversidade face à Era das Homogeneizações”: 24/11, às 10h, Maison du du CNRS (USP) – Cidade Universitária
Rob Wallace e Marion Nestle na FSP/USP para debater sistemas alimentares e políticas públicas: Data: 24/11 – das 17:30 às 20:30 Local: Anfiteatro João Yunes da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), São Paulo – SP

Rio de Janeiro
Seminário Internacional – (In) segurança Alimentar sob o microscópio: repensando a relação entre sistemas alimentares, microrganismos e normas sanitárias:
Data:26 e 27 de novembro. Local:  NUT/UERJ – Instituto de Nutrição – Rio de Janeiro

Brasília
Lançamento do livro no Armazém do Campo Brasília: 28/nov, 17:30
Endereço: Edifício Denasa, SCS Qd 1, Bloco K, Lote 30 – Asa Sul, Brasília

Allan de Campos Silva é geógrafo, membro do DataLuta e pesquisador de Pós-Doutorado na Universidade Estadual Paulista (UNESP). É tradutor e editor no Editorial Igrá Kniga.

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