A China e o ponto cego da geopolítica
Enquanto o mundo discute quem governa, a China está corroendo as rendas que sustentam o capitalismo

Enquanto o mundo discute quem governa, a China está corroendo as rendas que sustentam o capitalismo
Esta é uma história brilhante, mas verdadeira. A história de Léna, uma francesa radicada na Bolívia que importa joias chinesas estampadas com a marca Chic Paris. Nós a acompanhamos das calçadas do mercado de El Alto aos corredores da Feira de Cantão. Pelo TikTok, pelas boates, até os armazéns de contêineres do porto de Shenzhen. É uma história real, mas extravagante, que narra a globalização vista de baixo
Depois de atravessar o Atlântico, a Mercadoria atravessou o Pacífico. E a interferência do Estado na economia não é algo novo no capitalismo
Como o capitalismo contemporâneo transforma o pavor ambiental em controle subjetivo, neutralizando a revolta política através de uma pedagogia da culpa individual e da “esperança enlatada”
O trabalho deixou de funcionar como ponte segura entre o esforço educacional e a estabilidade e passou a operar como filtro que reserva as posições melhores a quem já dispõe de recursos anteriores
De sua origem na escola adentra as fábricas para, em seguida, ser apropriado pelos governos autoritários e, finalmente, integrado à sociedade neoliberal do espetáculo, o futebol retorna à escola, com a mesma função das outras mercadorias produzidas pela indústria cultural
Por que a disputa pela IA é também disputa pela energia, pela água, pela verdade pública e pelo planejamento democrático da vida
A economia global não atravessa apenas uma oscilação conjuntural: há uma desaceleração estrutural longa, posterior à crise de 2008, que restringe a capacidade do sistema de produzir prosperidade social ampla
A palavra “revolução” sempre carregou uma força singular na imaginação política e social
O sofrimento deixa de ser um acidente e se torna parte estrutural de um sistema que coloca o lucro acima das pessoas, refinando continuamente suas tecnologias de controle, vigilância e violência
Nas últimas décadas, os pensadores críticos enfatizaram o papel da “cultura” na fabricação do consentimento, a ponto de, às vezes, esquecer que a hegemonia também – e talvez antes de tudo – se apoia em forças materiais, em estruturas tangíveis. Diante daquilo que Karl Marx chamava de “a surda pressão das relações econômicas”, o importante é não se resignar
Em contextos de crise internacional, reaparecem velhas respostas travestidas de pragmatismo. Diante do acirramento de conflitos, da instabilidade geopolítica e do enfraquecimento das promessas de segurança global, soluções baseadas na ampliação do poder militar voltam a ser apresentadas como inevitáveis e racionais