DA BOLÍVIA À CHINA, A GLOBALIZAÇÃO VISTA DE BAIXO

Como me tornei capitalista

Esta é uma história brilhante, mas verdadeira. A história de Léna, uma francesa radicada na Bolívia que importa joias chinesas estampadas com a marca Chic Paris. Nós a acompanhamos das calçadas do mercado de El Alto aos corredores da Feira de Cantão. Pelo TikTok, pelas boates, até os armazéns de contêineres do porto de Shenzhen. É uma história real, mas extravagante, que narra a globalização vista de baixo

Para compreender o lugar da China na economia mundial, é possível analisar a questão de cima para baixo, concentrando-se nos acordos comerciais e nos conflitos geopolíticos. No entanto, podemos também observá-la de baixo para cima, examinando como, em pequena escala, uma parcela cada vez maior da população mundial – especialmente nos países do Sul Global – tenta melhorar suas condições de vida recorrendo à capacidade produtiva da maior potência industrial do planeta. E qual seria a melhor maneira de fazer isso senão transformar-se – durante o tempo de uma reportagem – em Léna, uma jovem francesa que vive na Bolívia e tenta lançar seu próprio negócio? “Hoje vamos conhecer os três principais rios da China: o Chang Jiang, o Zhu Jiang e o Huang He...”, anuncia um jovem de terno e gravata, apontando para um mapa do país colocado atrás dele. São 18 horas em La Paz. Em meio ao…

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