Não foi contenção, foi massacre
A militarização constitui hoje o principal mecanismo de acumulação financeira, não só pelo volume de seus lucros, mas também porque sua realização constitui um mecanismo de expropriação, destruição e limpeza social essencial para abrir espaço para novos empreendimentos
Não foi operação, foi chacina. Não foi contenção, foi massacre. O que aconteceu no dia 28 de outubro deste ano nos complexos da Penha e do Alemão tem nome – e não aceitaremos as classificações atribuídas pelo Estado para as violações de direitos que ele mesmo produz. Também não aceitaremos as classificações do Estado elaboradas cuidadosamente para que pessoas que residem em favelas e periferias sejam vistas como inimigos que precisam ser combatidos. Não aceitaremos que 117 pessoas executadas sumariamente por agentes de Estado armados em serviço sejam classificadas como “opositores neutralizados” e que esses números sejam parte dos “resultados operacionais” enviados como resposta do governo do estado do Rio de Janeiro ao Supremo Tribunal Federal (resposta essa exigida pelo relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 635 via Despacho Eletrônico n. 22.857/2025). Tanto as mortes quanto a forma de classificar os mortos evidenciam um processo de desumanização…

