Soberania começa na periferia
O falso patriotismo que pede socorro ao império e o Estado que ainda disputa seu próprio território

O falso patriotismo que pede socorro ao império e o Estado que ainda disputa seu próprio território
Quando uma mulher disputa poder, tenta-se desqualificar sua racionalidade; quando muitas votam contra a extrema-direita, tenta-se desqualificar o próprio voto feminino
A pressão exercida por Michelle sobre a sucessão do bolsonarismo pode estar produzindo fissuras que escapam ao comando da própria família, justamente porque encontram, no subsolo da coalizão conservadora, fraquezas que já estavam lá.
Pela primeira vez, o debate deixou de ser “quem acompanhará Bolsonaro” para se tornar “quem poderá representar Bolsonaro”. É uma mudança silenciosa, mas profundamente reveladora
Não faz tanto tempo assim, os Estados Unidos precisavam apoiar golpes militares para domar uma América Latina rebelde. Hoje, o enfraquecimento da esquerda e a escalada da criminalidade favorecem a expansão de uma direita radical na região. Tanto quanto os generais de óculos escuros de outrora, essa corrente se alinha aos desígnios da Casa Branca em seu “quintal”
Em sociedades marcadas por frustrações estruturais acumuladas, desigualdade persistente e profundo descrédito nas instituições, a economia da atenção atua como o terreno fértil para que a extrema-direita estabeleça seus projetos de ruptura
No último mês, a agenda de campanha de Flávio em eventos evangélicos tem se intensificado. Registros compartilhados em suas redes sociais mostram o investimento em associações de sua imagem como homem de fé, que compartilha repertórios de uma experiência comunitária em igrejas
De tempos em tempos, principalmente, em anos eleitorais, o debate sobre a redução da maioridade penal é reacendido no Brasil. O velho fantasma do punitivismo e da seletividade penal ronda novamente
O filme bolsonarista é um acelerador de solidariedade identitária e um instrumento de violência programada
O filme parece empenhado em produzir uma memória messiânica de Bolsonaro: um homem simples, perseguido pelas elites, salvo da morte e preservado por uma espécie de desígnio superior
A história associou política e polidez de forma tão estreita – ao menos na aparência – que a grosseria agora ocupa um lugar de transgressão. Surgiu um novo estilo de governante, feito de ameaças, insultos e motosserras. Seus adeptos se veem como “autênticos” diante do establishment. No entanto, sua resposta ao descrédito da política institucional contribui para aprofundá-lo ainda mais
Por que, diante de um cenário de precarização, insegurança e bloqueio de futuro – cujas causas estão estruturalmente associadas ao neoliberalismo – a juventude tem encontrado respostas mais convincentes justamente em plataformas políticas que tendem a aprofundar essas mesmas condições?