UM IMAGINÁRIO DE GUERRA CIVIL

Radiografia da extrema direita violenta

Nas últimas semanas, os grandes meios de comunicação franceses se divertiram apresentando a esquerda radical como um novo fascismo, intolerante, faccioso e assassino. Essa manobra simbólica faz esquecer a existência de uma ultradireita identitária e carregada de ódio, que se espalha pelas redes sociais, consolida seus redutos e cultiva um ideal de reconquista pela força

Como pôde um militante do movimento neonazista de Lyon, completamente envolvido em suas atividades e autor de mensagens publicadas no X como “Apoio Adolf”, “Será preciso desenterrar e fuzilar [Gisèle] Halimi” ou “Total Nigger Death” [Morte total dos negros], ter sido homenageado com um minuto de silêncio na Assembleia Nacional e ver seu retrato exibido na fachada da sede da região Auvergne-Rhône-Alpes? Essa é uma das perguntas que surgiram após a morte de Quentin Deranque, em 14 de fevereiro de 2026, na sequência de um confronto com antifascistas. Numa inversão digna de 1984, de George Orwell, alguns afirmam que o fascismo estaria agora do lado da esquerda (Marianne, 19 fev. 2026). Outros, em maior número, colocam os “radicais” dos dois lados no mesmo saco e dizem que sua violência não teria lugar na democracia. É verdade que o jogo político foi amplamente pacificado se comparado aos anos 1970-1980, quando eram…

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