Todo mundo odeia a IA
Os investidores só têm olhos para ela; seus arquitetos olham de cima para os chefes de Estado; seu uso se espalha como fogo na pradaria: a inteligência artificial, diz-se, vai transformar a humanidade. Mas a humanidade quer isso? Diante do devorador digital, que exige o sacrifício do emprego, do clima e da vida privada, as resistências se multiplicam. Elas serão capazes de se organizar, enquanto os grandes partidos, obcecados pelas máquinas, olham para outro lado?
“Há uma batalha lá fora, em pleno andamento. Em breve, ela sacudirá suas janelas e estremecerá suas paredes.” A atmosfera dessa canção de Bob Dylan sobre os tempos que mudam terá passado pela cabeça de Eric Schmidt em 15 de maio? Naquela sexta-feira, o ex-CEO do Google e ex-conselheiro do Pentágono vestira um chapéu com pompom e uma toga com enfeites amarelos para discursar, com um sorriso satisfeito, diante de um auditório de estudantes da Universidade de Tucson, no Arizona, por ocasião da cerimônia de formatura. Seria a quinquagésima ou a centésima vez que ele repetiria mecanicamente sua ladainha sobre a inteligência artificial que vai mudar tudo. De repente, um coro de vaias e gritos de raiva o interrompeu, e o tumulto se intensificou assim que ele articulou suas letras fetiche, “I” e “A”. Seu sorriso congelou num estalo. “Sei o que muitos de vocês sentem. [...] Entendo esse medo”,…

