Estados Unidos, da dominação militar à derrota estratégica
A comemoração do 250º aniversário dos Estados Unidos coincide com o fracasso de seu projeto de subjugar o Irã. O roteiro do sequestro do presidente Nicolás Maduro em Caracas não teve repetição em Teerã. O império mais poderoso da história já havia sofrido muitos abalos. Daqui em diante, enfrenta uma crise generalizada de confiança, sobretudo entre seus aliados
Em 14 de junho, para celebrar seu octogésimo aniversário, Donald Trump transformou a Casa Branca no cenário para uma luta de artes marciais mistas (MMA). O título promocional (“Liberdade 250”) desse evento televisionado fazia referência ao quarto de milênio de existência dos Estados Unidos, que será comemorado em 4 de julho. A realidade, além das tendas montadas no gramado da Casa Branca, deu a esse espetáculo um ar de fim do Império Romano: inflação impulsionada pela guerra no Oriente Médio e índice de popularidade historicamente baixo do presidente, enquanto, com a aproximação das eleições de meio de mandato, a maioria republicana está ameaçada nas duas casas do Congresso. Seria preciso um poeta satírico romano como Juvenal para comentar o declínio revelado por esse circo: o de uma república virtuosa que descambou para a oligarquia e o império. No entanto, as tensões e oscilações entre esses dois polos existem desde a…

