Arquivos Irã - Le Monde Diplomatique

O difícil diálogo entre Washington e Teerã

Eleito, Joe Biden afirmou que a América estava “de volta” e que seu país estava “pronto para dirigir o mundo, e não dele se afastar; pronto para enfrentar seus adversários, e não rejeitar seus aliados; e pronto para defender seus valores”. A celebridade de reality show que o precedeu na Casa Branca havia prometido que …

por em

O longo conflito do Ocidente com o Irã: qual o interesse dos EUA hoje?

Depois da Primeira Guerra Mundial, a dissolução do Império Turco-Otomano criou um imenso vácuo de poder no Oriente Médio que logo foi ocupado pelo domínio da França e Inglaterra, as nações vencedoras da guerra. Durante o conflito envolvendo a Tríplice Entente e a Tríplice Aliança, a Inglaterra contou com a ajuda das Revoltas Árabes para …

por em

Destruir Teerã ou conter Pequim?

Ao ordenar o assassinato do general iraniano Qassim Suleimani, comandante da Força Al-Quds do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, o presidente Donald Trump surpreendeu um grande número de observadores. Embora as tensões viessem crescendo havia muito tempo na região, nada indicava um enfrentamento próximo entre os Estados Unidos e o Irã, ou entre o …

por em

No Iraque, a dança do sabre entre Estados Unidos e Irã

Seja em sua versão moderna, com sabres de luz, seja em sua versão arcaica, com cimitarras nos países árabes do Golfo, o combate coreografado tem este paradoxo: trata-se de um desafio entre supostos inimigos que requer um bom entendimento entre os protagonistas. Uma fração significativa da opinião pública árabe acredita que as relações conflituosas entre …

por em

A guerra suja do Estado britânico

Há um conceito recorrente no vocabulário político: o de “Estado profundo”. Originalmente, referia-se à estreita relação entre instituições estatais repressivas, o crime organizado e a extrema direita em países que experimentaram ditaduras militares, como Grécia e Turquia. Entretanto, foi esvaziado de sentido ao ser adotado pelos apoiadores do Brexit e pelo presidente dos Estados Unidos, …

por em

O Irã e seus dois corpos de defesa

No dia 5 de maio de 2019, os Estados Unidos anunciaram o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln e de uma frota da Força Aérea para as águas do Golfo Pérsico. Evocando uma “resposta a sinais e alertas inquietantes que engendraram uma escalada”, John Bolton, conselheiro de Segurança Nacional, advertiu o Irã contra qualquer ataque …

por em

Um capricho norte-americano

  Um Estado que, sem motivo concreto, rompe um acordo internacional de desarmamento negociado durante muito tempo pode depois ameaçar de agressão militar outro Estado signatário? Pode ordenar aos outros países que se alinhem com suas posições caprichosas e belicosas, pois do contrário sofrerão também sanções exorbitantes? Quando se trata dos Estados Unidos, a resposta …

por em

Mesmo sob embargo comercial, a Península do Catar ganha o mundo

Cuidado com as águas calmas. Neste verão de 2018, as da Baía de Doha, com seu turquesa cintilante, parecem um espelho, de tão calmas. O calor e a luz flamejante cercam a capital do Catar, circunscrevendo a vida social aos ambientes climatizados. No cais, com suas velas caídas, os barcos não veem nenhum turista há …

por em

Irã: Trump dita as regras

A carreira de Donald Trump foi construída com base na premissa de que tudo é renegociável. Quando um edifício era concluído, esse incorporador imobiliário invocava a baixa qualidade do trabalho (ou outros pretextos) para não honrar seus compromissos. Ele então impunha novas condições às empresas envolvidas, declarando, por exemplo, que só ia pagar “75% do …

por em

Qual é a inspiração da política externa de Trump?

No dia 6 de novembro de 2017, em uma nota virulenta do New York Times intitulada “Aniversário do apocalipse”, a editorialista Michelle Goldberg evocou com intensidade o primeiro ano de administração de Donald Trump. Um “pesadelo”, ataca ela, durante o qual “o impensável se tornou cotidiano”.1 A julgar pela quantidade de reprovações expressas por especialistas …

por em

O alvo iraniano

Em 5 de fevereiro de 2003, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, mostrou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas um frasco que conteria antraz e comentou fotos de satélite dos locais secretos onde se fabricariam armas químicas. Essa encenação – admitida posteriormente por seu autor – serviria em seguida de rampa de lançamento …

por em

O adeus às armas?

Os três movimentos armados em luta contra os Estados britânico, espanhol e francês sobreviveram várias décadas a mais que outras organizações clandestinas que emanavam de nações sem Estado, na Bretanha, nas Antilhas francesas, na Catalunha, no País de Gales e na Escócia. Eles sobreviveram igualmente a numerosas lutas armadas de extrema esquerda que marcaram a …

por em

Esperança de mudança no Irã

Nem vencidos nem dominados!” É 10 de fevereiro de 2016, e a multidão se agita em torno de um turbante branco. O presidente Hassan Rohani acaba de juntar-se ao desfile do Festival Anual da Revolução, na Avenida Azadi, uma das principais artérias de Teerã. As palavras de ordem repetidas em coro refletem a leitura que …

por em

Hezbollah, senhor do jogo libanês

Em cada rua de Dahiyeh, subúrbio ao sul de Beirute, e ao longo das estradas da Planície do Bekaa, no leste do país, os retratos de combatentes mortos na Síria agora fazem parte da paisagem. O Hezbollah paga um pesado tributo por seu envolvimento no conflito sírio. Atrás do balcão da pequena loja onde trabalha …

por em

Nada detém as iranianas

  Um grupo de garotas adolescentes entra rindo no vagão e se acomoda alegremente no chão, já que não há lugares livres. Com os solavancos do trem, seus véus deslizam sobre os ombros, descobrindo o cabelo. Mas não importa: aqui só há passageiras. No metrô de Teerã, que começou a funcionar no final dos anos …

por em

Irã, um futuro incerto

Teerã, noite de 14 de julho. Milhares de pessoas vão às ruas comemorar ruidosamente o acordo assinado em Viena entre o Irã e o grupo P5+1 (China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha). Após doze anos de crise e uma maratona diplomática que durou 21 meses, esse primeiro resultado deslumbra uma população fragilizada …

por em

Escalada entre Irã e Arábia Saudita atordoa Washington

Protesto no Iemen Uma primavera tardia começou em Washington no fim de abril. Mas nem a floração das cerejeiras nem a elevação das temperaturas são capazes de atenuar a atmosfera de perplexidade e preocupação latente que paira sobre a capital federal. Dos corredores do Congresso às salas de reunião dos principais centros de pesquisa da …

por em

Um acordo que amplia o leque de possibilidades do Irã

Com o acordo sobre o programa nuclear iraniano, a república islâmica vê desenhar-se a perspectiva de novas cooperações com seus antigos detratores, primeiro no plano econômico, depois, talvez, a longo prazo, nas áreas militar e política. E isso sem que nada tenha sido resolvido, e ainda que subsistam diferenças fundamentais quanto à interpretação do Acordo …

por em

Petróleo e paranoia

E o gênio teve uma ideia. Pensando no Irã e na Venezuela, Thomas Friedman, colunista do The New York Times, concebeu, em 2009, a “Primeira Lei da Petropolítica” – com maiúsculas: “Nos países ricos em petróleo, o preço do petróleo bruto e o passo das liberdades seguem sempre em direções opostas”.1 Atenção, esclarece Friedman, uma …

por em

Irã e Estados Unidos: o tempo do ódio terminou?

rã poderia se tornar uma “potência regional muito próspera” se conseguisse entrar em acordo sobre seu programa nuclear com os países do grupo dito “G5 + 1” (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha), afirmou recentemente Barack Obama.1 Nunca antes o presidente norte-americano tinha dado a entender tão claramente que o objetivo das …

por em

Eleições em Israel: o blefe de Benjamin Netanyahu

Benjamin Netanyahu estaria dando uma cartada muito alta, arriscando perder o controle da situação? Ele apostou muito ao provocar eleições antecipadas, quando dispunha de uma maioria, sem dúvida heteróclita, mas suficiente para mantê-lo no poder até 2017. Ainda que seja reeleito em 17 de março, o chefe do partido Likud – sem os ministros centristas, …

por em

O grande medo da Arábia Saudita

  O Irã sempre interferiu nos assuntos da Arábia Saudita. Em 2003, o sinal verde para os ataques da Al-Qaeda contra o reino1 veio de Teerã.” Professor da Universidade de Riad, nosso interlocutor parece seguro do que afirma. Ele se mantém impermeável à grande improbabilidade dessa aliança entre um regime xiita e uma organização sunita …

por em

Indecisão de Israel diante da crise síria

    Não faltam palavras no repertório israelense para designar os acontecimentos que agitam o mundo árabe nos últimos anos. Elas refletem a maneira como os diferentes atores percebem essas mudanças. Assim, a “Primavera Árabe” dos primeiros dias tornou-se, com o passar dos meses, um perigoso “Inverno Islâmico Radical”, depois, diante da persistente incapacidade dos …

por em

O mundo segundo Teerã

Estados Unidos e Irã têm uma longa história. Por um lado, o papel da CIA no golpe de Estado contra o governo nacionalista de Mohammad Mossadegh em 1953; por outro, a tomada de reféns na embaixada norte-americana em 1979: nos dois países, esses episódios ainda estão muito presentes na memória coletiva. Contudo, Teerã parece querer …

por em

Excelente notícia no Irã

Um acordo que mobiliza contra si Benjamin Netanyahu, os ultraconservadores iranianos, o lobbypró-Israel que dita sua lei no Congresso norte-americano e a Arábia Saudita pode ser ruim? E Israel – um Estado que não assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que possui a bomba e violou mais resoluções das Nações Unidas do que …

por em

No rescaldo da Primavera Árabe

A Irmandade Muçulmana? “Um pequeno grupo que se desviou do caminho correto.” A revolução no Egito? “Ela não teria sido possível sem o apoio do Irã e é o prelúdio de novos acordos Sykes-Picot.”1 A eleição de Mohamed Morsi? “Uma escolha infeliz.” Como muitos funcionários no mundo árabe, o chefe de polícia de Dubai, o …

por em

Em Gorgan, um mergulho no Irã

Gorgan, depois de trinta anos; Gorgan, cidade de minhas férias de infância onde, com meus primos, passávamos o verão em um ar quente e úmido, que nos impedia de respirar. Situada no nordeste do Irã, perto do Mar Cáspio e a 450 quilômetros de Teerã, a cidade se tornou em 1997 a capital da nova …

por em

Os riscos de uma guerra contra o Irã

(Universitários exibem fotos do cientista nuclear iraniano Mostafa Ahmadi-Roshan, assassinado em Israel) É preferível um Irã sem armas nucleares a um que as possua. Até Teerã admite isso. Sempre signatário do Tratado de Não Proliferação (TNP), o país aceita que suas principais instalações sejam inspecionadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). E seus dirigentes, …

por em

Pentágono se volta para o Pacífico

“Nossa nação vive um momento de transição”, anunciou no dia 5 de janeiro o presidente BarackObama, antes de revelar a futura estratégia de defesa dos Estados Unidos. Esta prevê a redução do Exército e o fim de algumas missões de combate, principalmente os enfrentamentos terrestres mecanizados na Europa e as operações contrainsurrecionais no Afeganistão e …

por em

Impunidade saudita

Os direitos humanos não são mais respeitados na Arábia Saudita do que no Irã. Será então a seu statusde principal exportador de petróleo e aliado dos Estados Unidos que a monarquia wahhabideve o fato de ser milagrosamente poupada pela “comunidade internacional”? A Arábia Saudita pode intervir no Bahrein para esmagar uma manifestação democrática, executar 76 …

por em

Guerra preventiva, um conceito perigoso

Em junho de 2002, em frente à Academia Militar de West Point, o presidente norte-americano George W. Bush apresentava a doutrina estratégica que inspiraria sua administração. Mais que um novo conceito de defesa, tratava-se da reformulação dos princípios até então admitidos pelos Estados Unidos, com amplas consequências para a conduta de sua política estrangeira e …

por em

Nas trilhas íngremes da luta armada

Em berango, 15 km de Bilbao / Espanha, faixa em defesa do ETA afirma: “A luta é o caminho”. À exceção de alguns especialistas de sociedades muçulmanas, a maioria dos pesquisadores estuda o radicalismo islâmico como um fenômeno em si e para si, isolando-o dos outros campos das ciências sociais. Contudo, a dificuldade de realizar …

por em

Mahmoud Ahmadinejad contra os clérigos iranianos

O início de abril, o presidente Mahmoud Ahmadinejad exonerou Heydar Mosleh, ministro da Inteligência. Alguns dias depois, foi forçado a reintegrá-lo, sob pressão do aiatolá Ali Khamenei, o Guia da Revolução. O que começou como um incidente acabou evoluindo para um confronto aberto entre os dirigentes da República islâmica. É preciso saber que a Constituição …

por em

E se o Próximo fosse o Irã?

As balas que matam podem ser xiitas ou sunitas, moderadas ou radicais, pró-ocidentais ou “anti-imperialistas”. As populações que morrem, também. Mas os regimes que atiram se parecem entre si. O de Trípoli, aliás, foi capaz de substituir a celebração da magia da revolução mundial por um recrudescimento da vigilância das fronteiras da União Europeia. As …

por em

Os guardiões da revolução

Logo após o início da República Islâmica do Irã, em 1979, a desorganização do exército herdado da monarquia e o medo de um golpe de Estado levaram o aiatolá Khomeini a criar outra força militar. Nascida em 22 de abril, 1979, esta última foi chamada de “exército dos despossuídos” e legalizada pelo artigo 150 da Constituição …

por em

Um conflito iminente

Depois de meses de fracasso das negociações entre Teerã e o Ocidente sobre a questão do enriquecimento de urânio – enriquecimento ao qual o Irã tem direito, segundo o Tratado de não proliferação nuclear (TNP), mas que diversas resoluções do Conselho de Segurança da ONU proibiram –, a solução veio de onde menos se esperava. …

por em

O caldeirão das disputas políticas

“Não se trata de pessoas no fim do mandato que tem apenas alguns meses pela frente. Se preparem para mais cinco anos de exercício.” Foi assim que, nove meses antes da eleição geral de 12 de junho de 2009, o aiatolá Ali Khamenei explicitou para vários membros do governo a sua preferência pelo prolongamento do …

por em

Irã, um capitalismo de monopólios

Desde o fim da guerra com o Iraque, em 1988, a relação entre a sociedade iraniana, sua classe política e o poder econômico sofreu uma transformação radical: os valores morais até então dominantes, em particular os religiosos, passaram por um recuo. Em sua obra, o sociólogo Faramarz Rafi-Pour1 imputa essa evolução à emergência de uma …

por em

Irã, inimigo número um do Ocidente

Nossas relações com o Irã eram muito estreitas e bem ancoradas no tecido social dos dois povos”, lamentou um alto funcionário do Estado israelense logo após o aiatolá Khomeini conquistar o poder, em 1979. Na época, Teerã aparecia como um interlocutor natural, tanto para Tel-Aviv como para Washington. Trinta anos mais tarde, porém, as autoridades …

por em

As manobras americanas contra o Irã

Na luta que se trava no seio da administração Bush em relação à política com o Irã, dois campos se definem com clareza. De um lado, o vice-presidente Richard Cheney e seus aliados no Pentágono e no Congresso, com o incentivo do Comitê Israelense-Americano de Assuntos Públicos, não só desejam que os EUA bombardeiem a …

por em

O golpe da CIA contra o Irã

No começo do ano 2000, o New York Times recebeu o relatório oficial do golpe de Estado executado em 1953 pela Central Intelligence Agency (CIA) contra o primeiro-ministro iraniano Mohammed Mossadegh. Em 18 de junho de 2000, o jornal publicou esse relato em seu site na internet1. Os nomes de várias personalidades iranianas envolvidas estavam …

por em

Notícias das mulheres do Irã

Uma coletânea de novelas e um romance, lançados com alguns meses de intervalo, oferecem duas belas oportunidades de descobrir uma autora iraniana, pela primeira vez traduzida para o francês. São histórias de mulheres, de mães e de suas filhas. Comme tous les après-midi [Como a cada tarde] reúne 18 pequenos textos que compõem um caleidoscópio …

por em