Rock do Irã expõe as fissuras do confronto entre Teerã e Washington
A produção musical frequentemente associa pressão internacional a controle interno, revelando como conflito geopolítico e governança doméstica se retroalimentam

A produção musical frequentemente associa pressão internacional a controle interno, revelando como conflito geopolítico e governança doméstica se retroalimentam
A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã recoloca o Oriente Médio no centro das tensões internacionais e revela, mais uma vez, a fragilidade da ordem global contemporânea. Longe de ser apenas um episódio isolado, o conflito expõe disputas geopolíticas mais amplas, nas quais se entrelaçam crises internas dos Estados, rearranjos regionais e transformações na hierarquia de poder do sistema internacional
O que está em jogo é mais amplo: a configuração do equilíbrio regional e a limitação das margens de projeção estratégica iraniana em um sistema internacional em reacomodação
A algoritmização da morte e a política de guerras preventivas transformam crises regionais em riscos globais
Os interesses geopolíticos, em oposição à preocupação humanitária, são os principais motivadores do confronto ocidental com o Irã
“Por que o Irã ainda não se rendeu?”, perguntava o presidente norte-americano, Donald Trump, em 20 de fevereiro. Enquanto o regime teocrático não dá mostras de que deve ceder, a repressão conduzida em janeiro passado contra sua população demonstra, mais uma vez, seu fracasso. Embora Washington não tenha renunciado ao uso da força, elites da classe média iraniana aguardam sua hora
Desde dezembro de 2025, as manifestações no Irã reacenderam o debate sobre a legitimidade do regime xiita e os rumos políticos do país. No entanto, mais do que um episódio de contestação doméstica, até onde podemos interpretar tal crise enquanto um laboratório da guerra híbrida no Oriente Médio?
Uma repressão brutal assola os iranianos desde 8 de janeiro. A licença dada às forças de segurança sugere que as autoridades estão acuadas, conscientes de que lutam pela própria sobrevivência. Após o esgotamento do aparelho ideológico islamista, o cimento nacionalista se desfaz e o crescimento das desigualdades e a negação das aspirações da população favorecem as ingerências externas
A chamada “falência da água” é uma crise de alcance global: diversas regiões do planeta enfrentam a convergência entre limites naturais e escolhas humanas mal calibradas
A agressão lançada por Benjamin Netanyahu contra o Irã, em violação ao direito internacional, reflete uma aposta desmedida, possibilitada por uma correlação de forças militares fortemente desequilibrada. No entanto, desrespeitar a soberania iraniana sob o pretexto do repúdio que o regime dos aiatolás suscita em parte da população não atende às aspirações desse povo
O Irã vai se juntar à lista de países nos quais os Estados Unidos – desta vez seguindo a trilha de Tel Aviv – promoveram uma mudança de regime pela força? A guerra iniciada pelo primeiro-ministro israelense abriu um novo capítulo na conturbada história da região. No entanto, a ameaça de caos e propagação da violência parece não assustar nem Benjamin Netanyahu nem Donald Trump
O programa nuclear iraniano foi idealizado há mais de cinquenta anos e sua origem foi patrocinada pelo governo estadunidense. Tem sido marcado por interrupções e suspeitas de que seu uso extrapolaria fins pacíficos. Nas últimas décadas vem sendo marcado por controvérsias e, mais recentemente, ataques por parte de Israel